Venda da GNB Vida “correu muito mal”, confessa o presidente da comissão de acompanhamento

De acordo com uma auditoria da Deloitte ao Novo Banco, o Fundo de Resolução não aceitou vender a seguradora GNB Vida por 81 milhões de euros, tendo depois o Novo Banco e a compradora Apax chegado aos 123 milhões, desconhecendo a auditora “o racional” do valor final.

O presidente da Comissão de Acompanhamento do Novo Banco, José Bracinha Vieira, disse hoje no parlamento que o processo de venda da seguradora GNB Vida “correu muito mal”, ao contrário do sucedido com as carteiras de crédito malparado.

“Eu acho que o processo de venda das carteiras [de malparado] correu bem. O processo de venda da GNB Vida correu muito mal. Teve vários problemas pelo caminho e teve uma revisão de preço para baixo muito substancial ao longo da vida da negociação do contrato”, disse hoje aos deputados o responsável.

José Bracinha Vieira, que respondia ao deputado Duarte Alves (PCP), está hoje a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

A seguradora GNB Vida já foi tema de discussão na semana passada, tendo sido objeto de uma oferta inicial de 191 milhões de euros (mais 125 milhões variáveis), que passou posteriormente para 81 milhões de euros, tendo sido acrescentadas adendas que subiram o preço para 123 milhões de euros.

Entretanto, o Novo Banco já pediu autorização ao Fundo de Resolução para devolver 14,3 milhões de euros à Apax Partners, compradora da seguradora GNB Vida, devido a diferendos relativos a alegadas informações erradas.

Hoje, o presidente da Comissão de Acompanhamento referiu-se ainda a Greg Lindberg, que fazia parte dos compradores iniciais e estava acusado de corrupção nos Estados Unidos.

“Houve uma desvalorização da companhia de seguros. No ambiente atual de baixas taxas de juro, as companhias de seguros estão sob uma pressão forte”, argumentou.

José Bracinha Vieira considerou, no entanto, que esse preço “foi bem defendido pelos serviços do banco, porque houve umas mitigantes no preço, senão tinha ido ainda mais para baixo”.

De acordo com uma auditoria da Deloitte ao Novo Banco, o Fundo de Resolução não aceitou vender a seguradora GNB Vida por 81 milhões de euros, tendo depois o Novo Banco e a compradora Apax chegado aos 123 milhões, desconhecendo a auditora “o racional” do valor final.

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