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Sector financeiro em 2022 era composto por 29% de instituições financeiras não bancárias

No final do ano passado, o sector bancário português, composto pelos bancos residentes em Portugal e pelo banco central, representava 71% do total do ativo do sector financeiro do país. “O sector financeiro não bancário, composto pelas instituições financeiras não monetárias, representava os restantes 29% do ativo”, diz o BdP.
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21 Março 2023, 13h38

O Banco de Portugal (BdP) publicou hoje as estatísticas de outros intermediários financeiros, auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas atualizadas para o 4.º trimestre de 2022. É o retrato do sector financeiro para lá da banca e do Banco de Portugal.

No final de 2022, o sector financeiro era composto em 99% por entidades não bancárias, que representavam 29% do total do ativo do sector. Isto é, no final do ano passado, o sector bancário português, composto pelos bancos residentes em Portugal e pelo banco central, representava 71% do total do ativo do sector financeiro do país. “O sector financeiro não bancário, composto pelas instituições financeiras não monetárias, representava os restantes 29% do ativo, mas integrava 99% das entidades do sector financeiro em Portugal”, revela o BdP.

“Apesar de não estarem autorizadas a captar depósitos ou equiparados, as instituições financeiras não monetárias são relevantes para a economia, pois canalizam fundos entre os agentes económicos com capacidade de gerar poupança e aqueles que necessitam de fundos”, defende o Banco de Portugal. Destas, destaca-se o conjunto formado pelos outros intermediários financeiros, auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas, que, no final de 2022, representava 91% do total de entidades financeiras e 15% do total do ativo do sector financeiro.

No fim de 2022, “63% das instituições financeiras não monetárias eram auxiliares financeiros, 34% instituições financeiras cativas e prestamistas e 3% eram outros intermediários financeiros”, explica o regulador. Analisando o peso de cada uma no total de ativo, a distribuição era diferente, sendo que as instituições financeiras cativas e prestamistas representavam 73% do total do ativo, os outros intermediários financeiros representavam 22% e os auxiliares financeiros 5%.

O ativo dos outros intermediários financeiros, auxiliares financeiros e instituições financeiras cativas e prestamistas totalizava 132,3 mil milhões de euros, mais 0,2 mil milhões do que no final de 2021 e cerca de metade do máximo histórico de 261 mil milhões de euros registado no final de 2010, revela o BdP.

“Esta aparente manutenção do total de ativo reflete evoluções diferenciadas por subsetor”, detalha o banco central. Os totais do ativo das instituições financeiras cativas e prestamistas e dos auxiliares financeiros aumentaram, respetivamente, 0,4 mil milhões de euros e 1,0 mil milhões de euros, enquanto o total do ativo dos outros intermediários financeiros diminuiu 1,2 mil milhões de euros, segundo os mesmos dados.

A redução do total do ativo dos outros intermediários financeiros “reflete a contração da atividade dos fundos e sociedades de titularização de crédito”, explica o BdP. Em 2022, o montante de empréstimos titularizados reduziu-se 2,6 mil milhões de euros e totalizava, no final do ano, 16,9 mil milhões de euros, menos de um terço do máximo histórico de 57,8 mil milhões de euros observado em 2011.

A instituição liderada por Mário Centeno explica que até 2011, os bancos, para obterem liquidez junto dos bancos centrais do Eurosistema, tinham de apresentar como garantia títulos de elevado rating que tivessem em carteira. Muitos quase esgotaram os seus ativos de garantia neste tipo de financiamento, e foi neste contexto que se assistiu a um aumento significativo das operações de titularização originadas pelos bancos.

“Ao titularizarem os empréstimos, os bancos frequentemente adquiriam os títulos emitidos pelo veículo financeiro envolvido nessa operação de titularização, uma vez que aqueles títulos eram aceites como garantia para as operações de financiamento do Eurosistema”, lembra o BdP.

A partir de 2011, o Banco Central Europeu passou a aceitar os próprios empréstimos bancários como garantia para as operações de financiamento aos bancos, o que se traduziu numa diminuição da atividade dos fundos e sociedades de titularização de crédito.


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