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Race Across America. Português está a terminar a maior prova de ultra-ciclismo do mundo

Três cadeias montanhosas, dois desertos e condições extremas de temperatura. A “Race Across America” é considerada uma das provas de ciclismo mais difíceis e longas do mundo mas o ultra-ciclista João Pombinho, que conta com o apoio da “Sport Zone”, conta ao JE como tem sido o seu percurso até chegar à prova-rainha que disputa por estes dias.
20 Junho 2023, 21h00

Até 25 de junho, o ultraciclista e triatleta português João Pombinho vai percorrer quase cinco mil quilómetros de extensão numa prova com duração de dez dias. A “Race Across America” é considerada uma das provas de ciclismo mais difíceis e longas do mundo mas João Pombinho, que conta com com o apoio da “Sport Zone”, está habituado à dureza deste tipo de provas.

Em 2021, completou o Portugal Divide, o NorthCape4000 e a Race Across Germany e em 2023, representa Portugal nesta prova de enorme exigência, apostado em ser finisher e tornar-se o primeiro português a fazer a prova. Em conversa com o JE, João Pombinho explicou as exigências de uma prova cuja taxa de sucesso é muito inferior a 50%.

Como é que um atleta português surge envolvido nesta prova?

João Pombinho: O envolvimento nesta prova surge na sequência de um percurso e de uma evolução que tenho vindo a fazer nas disciplinas de endurance e de ultra endurance, quer de Triatlo, quer de Ciclismo e esta prova surge no horizonte como o “expoente máximo” e a prova maior desta disciplina. Por acaso é nos Estados Unidos e também por acaso ainda não houve nenhum atleta português que tentasse fazê-la a solo, por isso é também um desafio especial e único nessa medida. O facto de ser um atleta português, provindo de um país que pouco reconhecimento faz sobre esta prova, a sua história e as suas características, tornou todo o percurso de preparação logística e angariação de apoios mais complicado. Esperamos depois de termos feito este caminho pela primeira vez, deixar o campo mais facilitado para futuros participantes da nossa nacionalidade.

Como se fez a ligação com a Sport Zone?

JP: A ideia de envolver a Sport Zone surge naturalmente como uma, senão a marca de referência dos portugueses que pensam em bem-estar físico, desporto, equipamento, um estilo de vida saudável. A Sport Zone tem uma abrangência enorme nestas áreas, é conhecida por ser uma marca multidesportos e em particular por ter os melhores equipamentos para a prática de cada uma deles. Neste contexto em particular criou-se uma empatia muito grande, uma grande “união de propósito” e a Sport Zone soube adequar muito bem a sua oferta às necessidades únicas desta prova, quer pela exigência de autonomia extraordinária em termos de requisitos de equipamentos, quer pela grande variação de condições climatéricas. Os equipamentos cedidos para a prova, quer os da Garmin, quer os da Compex na vertente de recuperação física (que também é essencial numa prova que nos dá muito pouco tempo para descansar e recuperar), tiveram um match muito grande entre o catálogo de disponível e as necessidades que apurámos, para os requisitos desta prova tão específica.

Jorge Simões (Head of Marketing & Ecommerce da Sport Zone): A ligação ao João e à Race Across America pareceu-nos natural e óbvio. Na Sport Zone acreditamos em todas as formas de fazer desporto e sabemos que o desporto é, acima de tudo, uma forma de nos tornarmos mais fortes, física e psicologicamente. O desafio que o João se propõe, no limiar da resistência e resiliência humana é uma busca de superação que tínhamos de apoiar e ajudar a dar visibilidade para que muitos outros se possam sentir motivados, seja para superar quase cinco mil quilómetros na maior prova de ultra-ciclismo do mundo, seja para tomar iniciativa de fazer os seus primeiros cinco quilómetros de caminhada.

Em que consiste a Race Across America?

JP: A Race Across America é a maior prova de ultra-ciclismo do mundo, atravessa o continente Americano Oeste-Este em 4880 quilómetros que devem ser percorridos em 12 dias. Atravessa três cadeias montanhosas, dois desertos e por isso também enfrenta condições extremas em termos de temperatura, altimetria, algumas zonas de pluviosidade e a própria dureza do percurso e das estradas escolhidas. A minha participação é feita na divisão solo quer dizer que há uma equipa de apoio que acompanha o atleta, mas o atleta pedala sozinho e sempre que parar para descansar o tempo continua a correr, portanto é bom pensar na prova não como tendo 12 dias, mas como 288 horas contínuas, em que descansamos quando podemos, sempre com o objetivo de chegar ao final!

É uma prova extremamente dura, tem uma taxa de sucesso inferior a 50% dos atletas participantes. Em 41 anos de história concluíram a prova cerca de 300 atletas, que comparam com quatro mil pessoas que subiram ao cume do Everest no mesmo período de tempo.

Como é a preparação para uma prova com este nível de exigência?

JP: A preparação para uma prova desta exigência envolve sempre, como é óbvio, a vertente física: tive um crescendo de desafios nos últimos anos, provas cada vez mais longas, quer em autonomia, quer também as provas de qualificação feitas em equipa. Este ano aproveitei algumas provas dos Brevets dos Randonneurs Mundial, que são na prática a preparação para a prova Paris-Brest-Paris e que consistem em provas de 300, 400 e 600 quilómetros em autonomia. Houve também uma grande componente de treinos indoor, naturalmente de ciclismo, de trabalho de força e multidesportos (Remo e Ski Nórdico). A preparação envolve sempre a disciplina de nutrição, quer para nos expormos à nutrição e às necessidades específicas da prova, quer para experimentarmos produtos a utilizar na prova e o organismo habituar-se e estar preparado para eles.

Naturalmente é também fundamental a preparação e capacitação da support crew: a minha crew é composta por sete elementos, todos Portugueses e juntos realizámos 9 saídas de treino conjunto durante o último ano, nos quais testámos as diferentes formas de apoio e suporte que podem ocorrer durante a prova, equipamentos de comunicação, cumprimento de regras, papéis dos membros da crew nos carros de apoio, nutrição, treino em diferentes condições climatéricas, diferentes altimetrias, etc. Para além dos treinos, realizámos crew meetings online com frequência para preparar toda a prova e a viagem e tudo o que ambas implicam.

Depois há toda a vertente de preparação logística: compras de equipamentos, tratar do seu envio para os Estados Unidos, de angariação de sponsors e de apoios, garantir que esses apoios e sponsors têm a merecida divulgação e visibilidade, quer pelas publicações nas redes sociais, quer pela caracterização das viaturas que vamos usar durante todo o percurso nos Estados Unidos.

Quer eu, quer a crew, temos vidas pessoais e profissionais que tivemos que manter de forma equilibrada, a par de todo este investimento pessoal, de tempo, disponibilidade e vontade para fazermos toda a preparação que uma prova desta dimensão exige.

E porque a prova é grande, escolhemos também uma grande causa humanitária para a acompanhar: o apoio ao IPO Lisboa através de uma recolha de fundos que vai decorrer durante a prova, com o lema “Cada metro conta”. O objetivo é ajudar o IPO nos seus papéis de investigação, promoção de um estilo de vida saudável como medida de prevenção de doença, da atividade física, do desporto regular e que possa contribuir também para a melhoria das condições e equipamentos dos próprios hospitais e as condições de hospitalidade das famílias dos doentes que têm que realizar tratamentos e que vêm de longe, quer de outros pontos do país, quer dos PALOP. É por isso uma causa muito importante para nós.

Em todas estas vertentes e mais algumas, a participação numa prova deste género diria que é apenas comparável a montar uma startup por isso foi um desafio tremendo que posso hoje dizer que levámos a bom porto, porque enquanto escrevo estas palavras, estamos exatamente na véspera do arranque da prova, todos reunidos em Oceanside, felizes e expectantes e com muita confiança de darmos o nosso máximo, marcarmos pela primeira vez uma participação Portuguesa e sobretudo nos divertirmos e vivermos uma experiência extraordinária neste grupo de pessoas, que já são muito mais do que um grupo de amigos, somos quase uma Família.


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