Os lucros do Banco Montepio subiram 191% para 67,8 milhões de euros no primeiro semestre, depois de ter registado um resultado líquido de 23,3 milhões no período homólogo, sendo que o banco exclui deste lucro o impacto negativo da venda de 51% do Finibanco Angola em julho, anunciou a instituição liderada por Pedro Leitão esta manhã em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Conforme explica o banco, a “desconsolidação da totalidade da participação implica o registo contabilístico de um efeito não recorrente desfavorável resultante da reciclagem da reserva cambial negativa no valor de 116,1 milhões de euros, mas sem qualquer impacto ou alteração nos capitais próprios do Grupo Banco Montepio, e que determinou o apuramento de um resultado líquido consolidado negativo de 48,3 milhões de euros”.
A evolução dos lucros é explicada por uma subida de margem financeira de 76,1% para 194,3 milhões de euros, devido às subidas dos juros do crédito a clientes. O banco refere que a subida da margem é “induzida pelo efeito do repricing dos contratos no contexto da subida das taxas de juro, e dos juros com as aplicações efetuadas em títulos, que permitiram anular os crescimentos observados dos juros de recursos de clientes e da tomada de fundos no mercado”.
De destacar que as comissões subiram 12,7% para 65,3 milhões de euros.
Quanto aos resultados em operações financeiras, banco registou uma quebra de 15,5 milhões de euros nesse período, explicada pelos menores resultados de reavaliação cambial em 41,4 milhões de euros.
O produto bancário cresceu 38,5% para 229,6 milhões de euros.
“A evolução favorável dos resultados recorrentes foi determinada pelo aumento do produto bancário, suportado na variação positiva da margem financeira e das
comissões”, destaca o grupo.
O banco reportou uma rentabilidade dos capitais próprios, com bases nos lucros recorrentes, de 8,8%.
Quanto ao rácio Common Equity Tier 1 e ao rácio de Capital Total (fully implemented), estes fixaram-se em 14,4% e 17,1%, respetivamente.
No que diz respeito aos custos operacionais, o banco reporta uma subida de 10,1% para 126,8% no primeiro semestre.
O rácio Cost-to-income fixou-se em 55,2%, acrescenta o mesmo documento.
A instituição destaca a concretização da venda de 51% do capital social do Finibanco Angola como “mais um importante compromisso assumido no Programa de Ajustamento que contribui para a simplificação da estrutura societária e para o reforço do enfoque no mercado doméstico”.
As imparidades para crédito no primeiro semestre de 2023 totalizaram 8,4 milhões de euros sendo que o agregado das imparidades e provisões atingiu o valor líquido de 15,6%, uma subida face ao registado no período homólogo.
O custo do risco piorou, mas ainda está em 0,1%.
As exposições não produtivas (NPE) ascenderam a 531 milhões de euros, resultando numa descida de 399 milhões de euros (-43%), com o rácio NPE a fixar-se em 4,5% e comparando favoravelmente com os 7,5% apurados no final de junho do ano passado; o banco realça um reforço dos níveis de cobertura dos NPE por imparidades para 60,0%.
No que toca ao balanço, o crédito a clientes caiu 4% para 11.875 milhões de euros em 30 de junho deste ano, “materializando a estratégia de contínua redução das exposições não produtivas”, com o crédito mal-parado a cair 42,9% (399 milhões de euros) em relação a junho do ano passado.
Os depósitos de clientes recuaram 0,5% para 12.867 milhões de euros, com o segmento de particulares a representar 72% do total.
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