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Angariação de fundos de 30 mil euros salva colónia de abutre-preto após incêndio no Douro Internacional

Segundo informação divulgada pela Palombar, os donativos recolhidos desde agosto de 2025 permitiram avançar, no terreno, com um conjunto alargado de medidas destinadas a mitigar os impactos do fogo numa espécie classificada como ameaçada de extinção.
@Palombar
7 Fevereiro 2026, 09h30

A campanha de angariação de fundos lançada após o grande incêndio que afetou o Parque Natural do Douro Internacional permitiu reunir os 30 mil euros necessários para implementar um plano de emergência destinado à recuperação da colónia mais frágil e isolada de abutre-preto em Portugal. A iniciativa, promovida pela associação Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito do projeto europeu LIFE Aegypius Return, mobilizou cidadãos, empresas e entidades nacionais e internacionais, transformando-se numa das mais expressivas ondas de solidariedade recentes em prol da conservação da natureza no país.

@Palombar

Entre os principais contributos destacam-se os apoios da União Internacional para a Conservação da Natureza dos Países Baixos (IUCN NL), através do mecanismo de emergência Green Lifeline Action Fund, da REN – Redes Energéticas Nacionais, da Lightsource bp e da Proactivetour, a par de centenas de doações individuais feitas via plataforma Gofundme ou diretamente à organização.

Com a meta financeira atingida, a campanha foi entretanto encerrada, dando lugar à fase de execução integral do plano de recuperação. Uma das primeiras prioridades passou por garantir o sucesso da estação de aclimatação de abutres-pretos instalada no território. Os seis indivíduos que ali se encontravam aquando do incêndio conseguiram completar o período de adaptação faseada e foram devolvidos à natureza no final de outubro de 2025, num momento considerado crítico para a sobrevivência da colónia.

No terreno, a associação procedeu à limpeza da área ardida e à remoção das infraestruturas destruídas pelo fogo. Parte da estrutura metálica de um contentor severamente danificado foi reaproveitada para construir uma nova unidade de apoio, essencial ao funcionamento da estação de aclimatação, onde se encontram instalados sistemas de videovigilância e outros equipamentos técnicos. Os donativos permitiram ainda substituir os painéis solares e baterias de longa duração perdidos no incêndio, garantindo a autonomia energética e a monitorização contínua das aves.

A resposta incluiu também o reforço da alimentação disponível na área da colónia, uma medida considerada fundamental para reduzir o stress alimentar e assegurar boas condições físicas antes do período reprodutor. Paralelamente, os técnicos da Palombar mantêm, desde o incêndio, uma monitorização frequente e continuada da colónia, recolhendo dados essenciais para avaliar a sua evolução e ajustar as medidas de conservação.

Em outubro de 2025, numa colaboração transfronteiriça com o Grupo de Intervención en Altura dos Agentes Florestais da Comunidade de Madrid, foram construídos e instalados três ninhos artificiais de abutre-preto e reconstruídas quatro plataformas-ninho parcialmente afetadas pelo fogo. Estas estruturas são consideradas decisivas para potenciar a nidificação e apoiar o crescimento da colónia num contexto de habitat profundamente alterado.

Foram igualmente instalados bebedouros e comedouros para a fauna selvagem na zona afetada, numa estratégia que visa reforçar a base alimentar do ecossistema. Ao favorecer a presença de outras espécies silvestres, aumenta-se, a médio e longo prazo, a disponibilidade natural de carcaças, essenciais para a alimentação dos abutres. Complementarmente, realizaram-se sementeiras destinadas a acelerar a recuperação da vegetação herbácea e arbustiva, beneficiando a pecuária extensiva e fomentando espécies-presa como o corço, o javali, o coelho-bravo ou a perdiz.

De acordo com a Palombar, está também em curso um trabalho de articulação com entidades locais, proprietários e diferentes setores de atividade, com o objetivo de reduzir a perturbação humana na envolvente da colónia e promover uma gestão do território compatível com a conservação do abutre-preto.

“O apoio de todos foi absolutamente essencial para implementar, no terreno, as medidas definidas no plano de emergência”, refere a organização, sublinhando que a resposta rápida e coordenada após o incêndio foi determinante para salvaguardar o futuro da colónia do Douro Internacional. O projeto LIFE Aegypius Return, cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia, envolve um consórcio alargado de entidades portuguesas e espanholas dedicadas à conservação da natureza e reafirma que, com o envolvimento da sociedade civil, “este gigante dos céus continuará a voar sobre nós”.


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