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Portugal com 10 empresas no ranking de crescimento FT1000 de 2026. I-Charging destacada em 17.º Lugar

A lista FT1000 2026, elaborada em parceria com a empresa de estudos Statista, reúne as empresas europeias que alcançaram a maior taxa de crescimento anual composta (CAGR) em termos de receitas entre 2021 e 2024. Os líderes europeus do Ccescimento Incluem I-Charging, Bizay e outras empresas portuguesas.
Simon Dawson/Bloomberg
3 Março 2026, 14h07

A Financial Times publicou recentemente o ranking FT1000: Europe’s Fastest-Growing Companies 2026, em parceria com a Statista, destacando as 1.000 empresas europeias com o crescimento anual composto (CAGR) de receitas mais elevado entre 2021 e 2024. Esta é a décima edição da lista, que reconhece companhias inovadoras que impulsionam a economia europeia, gerando emprego e competitividade apesar dos desafios económicos recentes.

O relatório enfatiza o papel das empresas de alto crescimento como motor da recuperação e inovação no continente.

No topo da lista está a Healf, retalhista online de bem-estar com sede no Reino Unido, com uma CAGR de 621,7%. Em segundo lugar, está a Popeyes UK, uma cadeia de fast-food especializada em frango frito, com um CAGR de 510,9%. Em terceiro lugar, está a CDC Chain Drive Crane, uma empresa italiana que constrói e realiza a manutenção de sistemas de transporte por cabos, com uma CAGR de 503,4%.

França, Alemanha, Reino Unido e Itália representam 75% das empresas do ranking.

Portugal, embora não lidere o topo do ranking (dominada por setores como energias renováveis, tecnologia e serviços financeiros em países como Polónia, Reino Unido e Alemanha), tem presença com várias empresas nacionais incluídas, refletindo o dinamismo crescente do ecossistema empreendedor português.

A primeira que aparece no ranking está em 17º lugar, é a I-charging, de electrical manufacturing, e tem uma CAGR de 244,5% e um volume de receitas em 2024 de 41,1 milhões de euros.

A CAGR (Compound Annual Growth Rate) é a taxa de crescimento anual composta que mede o retorno médio de um investimento ou métrica de negócio (como receitas) ao longo de um período, suavizando a volatilidade anual.

Depois só volta a aparecer outra empresas portuguesa no 207º lugar, é a Globalis Viagens e Eventos Corporativos, de Hospitality & Travel com uma CAGR de 76,1% e um volume de receitas em 2024 de 22,7 milhões de euros.

Figura também, mas em 348º lugar, a portuguesa Hyphen, de Professional, Scientific & Technical Services, com uma CAGR de 55,4% e um volume de receitas de 4,6 milhões de euros.

Em 516º lugar surge a portuguesa LGG Advisors, de Professional, Scientific & Technical Services, com uma CAGR de 39,5% e um volume de receitas em 2024 de 2,4 milhões. Depois em 533º lugar no ranking do FT surge a Redshift Consulting, de IT & Software, com uma CAGR de 38,4% e um volume de negócios de 10,8 milhões de euros.

Segue-se, em 684º lugar, a PICadvanced, de Electrical Manufacturing, com uma taxa de crescimento anual de 29,1% e um volume de receitas de 42,9 milhões de euros.

A Bizay, de e-commerce, surge em 687º lugar com uma CAGR de 29% e receitas de 53,2 milhões.

Depois na lista de 1.000 consta também em 762º lugar a Meivcore, empresa de Professional, Scientific & Technical Services, com um crescimento anual de 26,1% e receitas em 2024 de 75,5 milhões.

Em 791º lugar aparece a SA Formação, de Education & Social Services, com uma CAGR de 24,8% e receitas de 10 milhões de euros.

A última portuguesa do ranking é a Revesperfil, de Manufacturing, que surge em 982º lugar, com uma CAGR de 17,5% e um volume de receitas de 10,9 milhões de euros.

Ao longo dos anos (incluindo edições anteriores e atualizações de 2026), Portugal tem consistentemente empresas destacadas, especialmente em áreas como e-commerce, beleza online, consultoria e tecnologia. Em edições recentes, nomes como Sweetcare (plataforma de cosméticos online), LGG Advisors, Meivcore, Imaginary Cloud, Revesperfil e Care to Beauty figuraram entre as mais rápidas da Europa.

Para a edição 2026, o foco em crescimento sustentado reforça o bom desempenho de companhias portuguesas em setores digitais e exportadores.

De lembrar que há 12 hubs portugueses (como Unicorn Factory Lisboa, Startup Braga, LISPOLIS e The Fintech House) que foram reconhecidos num ranking complementar do FT sobre os principais centros de startups da Europa em 2026.

Este desempenho alinha-se com outros indicadores positivos para Portugal, como o Deloitte Technology Fast 50 Portugal 2025, que destacou empresas como Bloq.it, i-charging e Coverflex como líderes nacionais em crescimento tech.

O FT1000 2026 demonstra que, mesmo num contexto europeu competitivo, as empresas portuguesas estão a ganhar tração internacional, contribuindo para o posicionamento de Portugal como um hub emergente de inovação e crescimento económico na Europa.

Na lista FT1000 2026, a categoria de TI e software contribui com 213 empresas para a FT1000, seguida pela fintech, serviços financeiros e seguros com 77 e construção e engenharia com 76.

Os analistas esperam que Portugal mantenha ou amplie sua presença, beneficiado por investimentos em tecnologia e turismo sustentável. O país, que viu um boom de startups durante a pandemia, pode ver empresas de fintech e e-commerce a ganhar destaque, alinhadas com o foco europeu em digitalização. “Portugal continua a provar que, apesar de seu tamanho, pode competir com gigantes europeus em inovação”, comenta um especialista em economia ibérica consultado pelo FT.

A Espanha, com sua economia diversificada e forte presença em setores como energia renovável e tecnologia, tem sido uma das nações mais representadas fora do “Big Four”. Em edições recentes, como a de 2022-2025, o país contou com cerca de 49 empresas no ranking. Destaques incluem a Arquimea (aeroespacial e defesa, 5ª entre as espanholas em uma edição anterior), AnyTech365 (suporte técnico, 27ª na Europa e 2ª na Espanha em 2024), Eurofirms Group (recursos humanos, com faturamento superior a 437 milhões de euros em 2019, expandindo para Portugal e Países Baixos) e Adsmurai (publicidade digital, líder espanhola no setor).

Para ser incluída na lista das empresas de crescimento mais rápido na Europa, uma empresa tinha de cumprir como critérios ter uma  receita de, pelo menos, 100 mil euros gerada em 2021; uma receita de pelo menos 1,5 milhões de euros gerada em 2024; ser uma e empresa independente (não é uma subsidiária ou filial de qualquer tipo); a sede da empresa estar localizada num dos 35 países europeus abrangidos pelo ranking; ter um crescimento da receita entre 2021 e 2024 principalmente orgânico (ou seja, estimulado internamente); e as empresas com três ou menos trabalhadores ou as empresas que não são pessoas coletivas precisavam de fornecer provas adicionais sobre os seus números de receitas.


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