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Portuguesa InsurAds já é a quinta rede mundial

A InsurAds passou a ser parceira oficial de Open Bidding da Google coloca a empresa portuguesa no núcleo de um dos sistemas mais relevantes da publicidade digital. “É um reconhecimento brutal, porque só 14 empresas no mundo fazem parte deste programa e somos a única portuguesa — e provavelmente europeia — neste grupo”, diz a empresa.
7 Abril 2026, 08h22

“Metade do dinheiro que gasto em publicidade é desperdiçado; o problema é que não sei qual metade”. A frase é atribuída a John Wanamaker, o visionário norte-americano que foi pioneiro no marketing e desenvolveu aquilo que hoje conhecemos como department stores. Era uma blague, mas uma empresa portuguesa, a InsurAds, criou um sistema e uma plataforma para resolver o problema no mundo mais atual, na publicidade digital.

“A nossa proposta de valor é simples: não trabalhamos apenas com as impressões, mas sim com atenção real, certificada”, diz ao Jornal Económico (JE) o CEO da empresa, André Parreira. “Enquanto os modelos tradicionais continuam ancorados apenas em impressões e cliques – métricas de passagem –, a InsurAds foca-se no tempo e na qualidade da atenção de utilizadores reais, medidos segundo a metodologia de data signals alinhada com as Attention Measurement Guidelines do IAB/MRC”, que serve de referência para análise no setor.

O A(i)ttention+ContextOS, o sistema da InsurAds, é, “na essência, um sistema operativo de atenção suportado por inteligência artificial. Utiliza agentes para ler todos os sinais de contexto e de envolvimento do utilizador e, com base nisso, decidir e atuar sobre a atenção em tempo real, por utilizador e por segundo, em toda a open web”, explica André Parreira. “A inteligência artificial é crítica para atacar o desperdício de forma granular: impede que o investimento vá parar a ambientes de

baixa atenção e maior risco de fraude, e redireciona esse orçamento para momentos de elevada atenção e elevado fit com o contexto, com o mesmo investimento”, acrescenta.

“Para publishers cujo tráfego está sob pressão devido à pesquisa suportada por IA e às novas formas de consumo de conteúdo, o A(i)ttention+ContextOS ajuda a extrair mais valor da mesma audiência, monetizando cada segundo real de atenção em vez de simplesmente correr atrás de mais pageviews”, defende.

Com o A(i)ttention+ContextOS, a InsurAds opera através de uma rede de mais de mil publishers globais, ligando meios e marcas a mais de 1.300 milhões de utilizadores únicos todos os meses. É, assim, a quinta rede mundial, só atrás das redes sociais Facebook, YouTube, WhatsApp e Instagram. Mas à frente do TikTok, do Telegram ou do Snapchat.

“A nossa presença é especialmente forte na Europa e América Latina, com mercados estratégicos como Itália, Espanha, Reino Unido, Portugal e Brasil, e com integrações em crescimento com grupos de media e parceiros tecnológicos”, diz Parreira. As prioridades de expansão geográfica passam agora por aprofundar a presença na América do Norte e na Ásia, mantendo a mesma lógica: “Trabalhar com grandes publishers e grupos de comunicação para transformar atenção em receita adicional sem aumentar a pressão publicitária sobre o utilizador”, diz.

O ano passado foi um ano difícil para o mercado, com a adoção de ferramentas de inteligência artificial a fazer cair o tráfego de pesquisa dos publishers em 40%. “No entanto, mesmo neste cenário, as capacidades tecnológicas da InsurAds permitiram-nos crescer cerca de 10%”, diz a empresa.

Reconhecimento Google

Esta semana, InsurAds passou a ser parceira oficial de Open Bidding da Google coloca a empresa portuguesa no núcleo de um dos sistemas mais relevantes da publicidade digital. “É um reconhecimento brutal, porque só 14 empresas no mundo fazem parte deste programa e somos a única portuguesa — e provavelmente europeia — neste grupo”, diz Rafael Mora, chairman e acionista da empresa. A integração implica acesso direto a uma camada crítica de leilão programático, com exigências técnicas ao nível da latência e da qualidade de execução.

O Open Bidding é hoje uma das peças centrais da arquitetura programática global da tecnológica norte-americana, permitindo que múltiplas plataformas concorram simultaneamente por inventário publicitário premium. Na prática, trata-se de um mecanismo que procura maximizar o rendimento dos publishers e melhora a eficiência das campanhas dos anunciantes, reduzindo latências e aumentando a transparência dos leilões. Este modelo aproxima compradores e vendedores e reduz a dependência de cadeias de intermediação mais longas.

E Portugal terá um papel neste negócio, sempre. “É o nosso mercado de origem e continua a ser um laboratório importante para inovação”, diz André Parreira. A empresa tem vindo a consolidar uma estratégia assente em tecnologia própria e em dados, num setor onde a diferenciação depende da capacidade de otimização em tempo real. O estatuto agora alcançado permite-lhe operar mais próximo do núcleo das transações, com ganhos ao nível da monetização e da eficiência operacional, nomeadamente no preenchimento de inventário e na segmentação de audiências.

“A partir de Lisboa desenvolvemos a tecnologia e testamos modelos com publishers e marcas locais, antes de os escalar para outros mercados europeus”, afirma. Para 2026 preveem crescer 30%. O crescimento esperado assenta no alargamento da base de parceiros, na expansão geográfica e na integração com novas plataformas dentro do ecossistema programático.


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