O Bison Bank apresentou os lucros de 2025, reportando 8,8 milhões de euros, quadruplicando face aos 2,5 milhões de euros em 2024. No entanto, este valor inclui o impacto positivo dos ativos por impostos diferidos relativos a prejuízos fiscais reconhecidos em períodos anteriores. Os lucros recorrentes foram de 4,8 milhões de euros, praticamente o dobro de 2024. O banco vai, pela primeira vez, pagar dividendos de 750 mil euros, o que representa um pay-out de 16% face ao resultado individual.
Os resultados transitados negativos permitirão, no futuro, outros ganhos com ativos por impostos diferidos, mas “já não vão ter, é o impacto que tiveram neste primeiro ano, que é o ano de iniciação deste processo”, disse o CEO.
A administração explicou que “em futuros anos podemos utilizar o impacto dos ativos sob imposto diferidos, mas, com uma magnitude, isto é, com um valor absoluto muito inferior. O que aqui estamos a falar é da possibilidade de utilizar, do ponto de vista fiscal, prejuízos que o banco teve há muitos anos atrás ainda nos tempos do Banif – Banco de Investimento e na fase inicial do Bison Bank e que temos de contemplar nas contas o impacto quando o banco tem uma trajetória de resultados líquidos positivos e considerando uma projeção dos resultados líquidos do banco para os próximos 5 anos”, explicou o CFO, Eduardo Moradas.
“Resumindo e concluindo, este ano tivemos um impacto de cerca de 4 milhões de euros, mas em anos seguintes teremos impactos muito, mas muito inferiores. No entanto iremos continuar a ter, durante vários anos, até este stock global de prejuízos passados existir e ele ainda demorará alguns anos a ser consumo”, acrescentou.
O CEO, António Henriques, disse na conferência de imprensa que os resultados de 2025 “confirmam a sólida trajetória Bison Bank e excedeu os valores inicialmente previstos no Plano Estratégico e de Negócios”.
“Num ano globalmente marcado pela incerteza geopolítica e pela volatilidade nos mercados financeiros, o banco português revalida a estrutura do seu modelo de negócio e valida o seu produto bancário, que cresceu 44%, para 17,4 milhões de euros”, destaca.
A contribuir para os lucros está a margem financeira líquida de 9,1 milhões de euros, que compara com 7,6 milhões em 2024, bem como a receita de comissões de 8,3 milhões de euros. Os custos de estrutura ascendem a 11,6 milhões de euros, face a 9,7 milhões de euros um ano antes. “Os custos de estrutura, naturalmente, crescemos, também, 20%”, disse o CEO.
O cost-to-income passou de 80% em 2024 para 65% em dezembro de 2025, uma vez que as receitas cresceram a um ritmo superior ao dos custos. O banco conta atualmente com 109 colaboradores no grupo, tendo a administração referido um aumento de 44 colaboradores desde 2018 (quando o banco foi adquirido por um grupo de Hong Kong).
O banco anunciou que atingiu cerca de 7.000 clientes de mais de 130 países, sendo a maioria proveniente dos Estados Unidos.
O rácio de capital CET1 é de 38,5%, o rácio de cobertura de liquidez (LCR – Liquidity Coverage Ratio) é de 226% e o rácio NSFR de 119%, todos acima dos requisitos regulamentares.
O ex-Banif – Banco de Investimento anunciou a absorção das perdas acumuladas a 31 de dezembro. O CEO do banco, António Henriques, anunciou um aumento de capital de 6,7 milhões de euros, elevando-o para 50 milhões de euros. As reservas legais ascendem a 4,6 milhões de euros e os capitais próprios, a 31 de dezembro, totalizam 54 milhões de euros.
O CEO recordou que o breakeven do Bison Bank foi atingido em 2023: “Temos crescido muito, mas não é suposto manter o ritmo de duplicação de resultados. O que queremos é consolidar o nosso modelo de negócio”, afirmou António Henriques.
O CEO voltou a sublinhar a integração da BDA e assegurou que o banco passará a estar em conformidade com o MiCA. O Bison pretende evoluir de VASP (Virtual Asset Service Provider) para CASP (Crypto Asset Service Provider). A Bison Digital Assets, subsidiária do Bison Bank, foi a primeira entidade em Portugal licenciada pelo Banco de Portugal como VASP (Provedor de Serviços de Ativos Virtuais), para oferecer serviços de custódia e câmbio. Agora, a empresa precisa de adaptar as suas operações às novas regulamentações do MiCA (Regulamento dos Mercados de Criptoativos) e obter a licença CASP.
Com a entrada em vigor do regulamento europeu MiCA (Markets in Crypto-Assets), o Bison Bank notificou o Banco de Portugal da sua intenção de prestar diretamente serviços de criptoativos. “A fusão por incorporação, prevista até ao final de 2026, vai permitir ao Bison Bank assegurar uma estrutura organizacional mais simples, transparente e eficiente”, indica o CEO, que acrescenta que “a integração total da BDA na estrutura do banco representa um movimento estratégico significativo para 2026″, acrescenta.
O desempenho de 2025 foi transversal às principais unidades de negócio do banco. O Bison reporta também que em 2025 contam mais de 140 parceiros nacionais e internacionais no âmbito da atividade comercial em 2025.
O Banco Depositário, uma das áreas de maior expressão estratégica da instituição, fechou 2025 com funções de depositário em 167 fundos de investimento, o que representa mais de 4,1 mil milhões de euros em ativos sob supervisão.
O banco de capital privado chinês, liderado por António Henriques (na qualidade de Presidente Executivo – CEO), foca-se em wealth management, banco depositário e custódia.
A área de Gestão de Património e Custódia atingiu os 3,3 mil milhões de euros em ativos sob supervisão. Já a Banca de Investimento concretizou mais de uma dezena de mandatos de consultoria transfronteiriça nas áreas de fusões e aquisições e mercados de dívida.
Na Bison Digital Assets, o ano encerrou com cerca de 275 clientes institucionais e individuais de elevado património. O volume transacionado ascendeu a 165 milhões de euros. Esta subsidiária, que será integrada no banco, registou um lucro de 200 mil euros em 2025, “com apenas três anos de operação”.
Os ativos totais do banco atingiram 656 milhões de euros no final do ano, enquanto os depósitos de clientes subiram 67% para 588 milhões de euros. Paralelamente, os ativos sob supervisão mais do que duplicaram, ultrapassando os 7,4 mil milhões de euros, e a base de clientes expandiu-se para cerca de 7.000 clientes institucionais e individuais de elevado património, um crescimento de 61% em termos homólogos.
Depois, anunciou o CEO, “o processo da nossa stablecoin está on-track e esperamos lançá-la até ao final do primeiro semestre deste ano”, afirmou António Henriques.
“Queremos ser o primeiro banco a lançar uma stablecoin em Portugal”, sublinhou.
O banco diz que irá continuar a reforçar a sua posição de vanguarda no sistema financeiro, através de duas iniciativas pioneiras: vai lançar uma stablecoin, que deverá ser a primeira a ser emitida por uma instituição bancária em Portugal e, em simultâneo, desenvolver competências na tokenização de ativos do mundo real (RWA), com foco inicial nos setores imobiliário e de fundos de investimento.
“Temos também projetos de tokenização de ativos reais”, acrescentou o presidente do Bison, detalhando que serão baseados em ativos de real estate e fundos de investimento, “por serem ativos onde o banco pode ter vantagens na tokenização e, assim, adicionar valor imediato”.
“Em 2026 o Bison Bank vai continuar a sua trajetória de consolidação enquanto referência na convergência entre a banca tradicional e a economia digital, através de um reforço da sua presença nos mercados português e europeu”, finaliza o CEO, António Henriques.
A apresentação dos resultados contou com a presença de Bian Fang, presidente do conselho de administração (Chairman of the Board) do Bison Bank.
“Desenvolvemos um novo processo de onboarding de clientes e estamos a passar para a fase 2 (clientes corporate; na fase 1 foram clientes individuais)”, revelou o CEO.
António Henriques anunciou ainda que “talvez no primeiro semestre seja apresentado o primeiro produto para clientes de advisory, construído com base em IA”, e recordou que foi lançado o novo site do Bison Bank.
“Finalmente, também contamos, talvez ainda durante o primeiro semestre de 2026, apresentar o primeiro produto, talvez um dos primeiros produtos na banca em Portugal a ser oferecido a este tipo de clientes que é um cliente altamente profissional e que eu acredito que irá valorizar muito a possibilidade ter um agente de IA que, de alguma forma, lhe introduza informação quase em real time, o que seria muito difícil que qualquer pessoa fazer”, diz o CEO do banco.
Sobre o impacto da crise no Médio Oriente, António Henriques defendeu que “a estabilidade é o ativo surpresa de Portugal” para captar clientes na área da gestão de fortunas.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com