Numa altura em que se assiste a um pico de casos de gripe em Portugal, a exibição do anúncio, do medicamento Ben-u-ron (paracetamol), que retrata momentos determinantes na relação entre mãe e filho, está a ser investigado pela entidade reguladora, Infarmed, para se perceber se cumpre (ou não) as normas.
O organismo responsável pela fiscalização e monitorização da publicidade a medicamentos refere, citado pelo Jornal de Notícias, que “a peça publicitária está a ser avaliada, à semelhança de outras, quanto ao cumprimento das regras previstas na lei”.
Nos primeiros seis meses do ano passado, o Infarmed avaliou 999 anúncios a fármacos (650) e produtos de saúde (349), devido à preocupação dos médicos sobre a automedicação.
Embora o paracetamol seja de venda livre, trata-se de um medicamento que, como todos os outros, tem de seguir as regras definidas no Estatuto do Medicamento. À indústria é exigido que informe o utente a “ler cuidadosamente (…) o folheto informativo” e, “em caso de dúvida ou persistência dos sintomas” a ser observado e aconselhado por um “médico ou farmacêutico”, cita a mesma fonte.
No anúncio em causa, sobressai a estilização das imagens em detrimento das notas sobre o produto, quase impercetíveis.
Para José Manuel Silva, bastonário na Ordem dos Médicos, uma gripe normal é bem curada com “um chá de limão” e repouso, sem haver a necessidade do utente se automedicar.
É sabido que a distribuição de medicamentos com paracetamol continuar a aumentar, seja em unidades ou vendas, de acordo com a IMS Health. No entanto, o portefólio de medicamento com estas características multiplicou, tanto em dosagens mais ou menos fortes, com ou sem cafeína, ou vitaminas.
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