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Itália. Draghi diz ao Senado que coligação fragmentada pode ser reconstruída

O primeiro-ministro voltará a falar às 16 horas de Lisboa, altura em que é esperada uma decisão formal sobre o destino do Governo. Fontes anónimas familiarizadas com o assunto adiantaram que os partidos de centro-esquerda e centro-direita da coligação estão cada vez mais confiantes de que pode ser alcançado um acordo.
20 Julho 2022, 13h04

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, disse ao Senado esta quarta-feira que a sua coligação fragmentada pode ser reconstruída, afastando as preocupações de que deixará o governo e lançará o país numa crise política e económica. Os mercados recuperaram com as suas declarações, segundo a “Bloomberg”, fazendo com que os rendimentos dos títulos de dívida a 10 anos caíssem pela primeira vez numa semana.

“A única maneira, se queremos permanecer juntos, é reconstruir esta coligação do zero, com coragem, altruísmo, credibilidade”, disse, destacando que a moção de confiança da semana passada, do qual o Movimento Cinco Estrelas (M5S) se absteve, não pode ser ignorado, pois mostrou que o acordo sobre o qual se construiu o governo acabou.

Recorde-se que Draghi deu conta da sua intenção de deixar o cargo na semana passada precisamente depois de ter vencido a moção, mas perdido o apoio do M5S, que discorda do plano de 26 mil milhões de euros para aliviar os efeitos da inflação. O presidente da república, Sergio Mattarella recusou o pedido.

No fim de semana, dois grupos de centro-direita, a Liga de Matteo Salvini e o Forza Italia de Silvio Berlusconi, disseram que estavam prontos para deixar o governo, complicando uma solução. Contudo, antes desta sessão do Senado, fontes anónimas familiarizadas com o assunto adiantaram que os partidos de centro-esquerda e centro-direita da coligação estão cada vez mais confiantes de que pode ser alcançado um acordo que permita ao primeiro-ministro permanecer no cargo e evitar um colapso do Governo.

O país, à semelhança do resto da Europa, enfrenta inflação crescente, aumento das taxas de juros, crise de energia e a guerra na Ucrânia. Draghi está sob forte pressão para retirar a demissão e uma petição criada para o efeito reuniu  mais de cem mil assinaturas. Tal apoio de dentro e de fora do parlamento é incomum em Itália, nota a “Bloomberg”.

Após o discurso do Chefe de Governo, os partidos contam com cinco horas e meia para debate, o qual não se avizinha fácil, pois aplausos e vaias dos deputados interromperam-no várias vezes. Draghi repreendeu os partidos pelas lutas internas e pelos atrasos na legislação nos últimos meses.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro estabeleceu uma agenda cheia de prioridades às quais vários partidos se opõem veementemente, desde armar a Ucrânia até liberalizar licenças de táxi e concessões de praia, passando ainda pela instalação rápida da planta de gaseificação de gás natural liquefeito em Piombino, na Toscana (que aumentaria a independência do gás russo). Ele também prometeu mais gastos sociais.

“Precisamos de um novo pacto de confiança, sincero e concreto, como aquele que nos permitiu mudar o país para melhor”, disse Draghi. “Estão prontos para reconstruir esse pacto?”, questionou à coligação e aos deputados.

O primeiro-ministro voltará a falar às 16 horas de Lisboa, respondendo às reações dos grupos parlamentares ao seu discurso. É esperada uma decisão formal sobre o destino do Governo nessa altura.


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