O grupo Ikea quer devolver a Portugal os apoios financeiros recebidos durante a pandemia da Covid-19. A companhia já está em conversações com o Governo português para saber como poderá devolver o dinheiro, avança hoje o Financial Times.
Além de Portugal, a companhia fundada na Suécia também quer devolver os apoios recebidos durante a epidemia do coronavírus em oito outros países: Bélgica, Croácia, República Checa, Irlanda, Roménia, Sérvia, Espanha e os Estados Unidos.
“Agora, sabemos mais do que sabíamos em fevereiro e março, e esta é a altura certa para dizer, ‘muito obrigado pela vossa ajuda neste período difícil, podemos ver agora como vamos pagar isto'”, disse ao Financial Times Tolga Oncu, diretor das operações de retalho no Ingka Group, empresa que detém a maior parte das lojas da Ikea a nível mundial.
Segundo o responsável, devido às diferenças no tipo de apoios recebidos nos diferentes países, a empresa não sabe como serão devolvidos os apoios. A empresa disse que ainda não tinha calculado quanto dinheiro é que terá de devolver nos nove países, nem quantos trabalhadores foram apoiados ao abrigo dos apoios governamentais.
Com esta medida, o Ikea torna-se na primeira grande multinacional a anunciar a intenção de devolver o dinheiro dos apoios em vários países.
No Reino Unido, existem, pelo menos, dois casos de empresas que devolveram ao Estado o apoio recebido: a revista The Spectator e o grupo de comunicação social Telegraph Media Group, que detém o jornal Telegraph, anunciaram que iriam devolver os apoios públicos recebidos durante a pandemia.
“Quando o nevoeiro cerrado começou a levantar, percebemos que a crise não era tão profunda como temíamos e que não iria durar tanto como pensámos.
O responsável garante que a decisão de devolver o dinheiro não se trata de uma jogada de marketing, mas que esta é a “coisa certa a fazer”. “É importante manter boas relações com as sociedades e as comunidades próximas de nós”, afirmou
O Ingka Group, sediado na Holanda, detém 374 lokas Ikea em 30 países, existindo ainda mais de 30 lojas a operar em regime de franchising,
O Ikea estima que sofreu uma quebra entre 70% a 80% no seu negócio devido à pandemia da Covid-19. No entanto, já reabriram quase todas as suas lojas, faltando abrir apenas 23 lojas, incluindo as duas situadas na região de Lisboa – Alfragide e Loures – cuja reabertura vai ter lugar na próxima segunda-feira, 15 de junho.
Recorde-se que as restantes lojas em Portugal – Braga, Matosinhos e Loulé – reabriram a 1 de junho, mas a abertura das lojas da região de Lisboa foi adiada devido ao número de casos registados na grande Lisboa.
A Ikea Portugal anunciou a 9 de abril que iria aderir ao regime de layoff simplificado a partir de 13 abri, garantindo que iria pagar a totalidade dos salários base aos seus trabalhadores. Esta medida abrangeu 65% dos trabalhadores das lojas, escritórios e centro de apoio ao cliente em Portugal, avançou então a Lusa.
https://jornaleconomico.pt/noticias/lojas-do-ikea-na-regiao-de-lisboa-reabrem-na-segunda-feira-599275
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