Administração de Tomás Correia retirou pelouros a Ribeiro Mendes “por quebra de confiança”

A administração de Tomás Correia suspendeu os pelouros a Ribeiro Mendes, depois do artigo de opinião do administrador da Associação Mutualista, intitulado: “Montepio: virar de página inadiável”.

Cristina Bernardo
Ler mais

O ambiente no Conselho de Administração da Associação Mutualista está crispado. O Conselho de Administração da Associação Mutualista retirou os pelouros ao administrador Fernando Ribeiro Mendes na semana da Páscoa, em reunião do Conselho de Administração, soube o Jornal Económico.

Segundo fontes familiarizadas com o assunto, “em causa esteve a quebra de confiança resultante de posições públicas assumidas por este administrador relativamente a projetos da Associação Mutualista, sem que os mesmos tenham sido alvo de discussão interna e sem a devida reserva”, revelam as nossas fontes.

Mas a gota de água foi o artigo de opinião publicado por Fernando Ribeiro Mendes no jornal Público no dia 24 de março, sob o título “Montepio: virar de página inadiável” em que assinava como Administrador do Montepio Geral Associação Mutualista. A administração liderada por Tomás Correia não gostou e o resultado é que Ribeiro Mendes, que até aqui detinha os pelouros de meios, serviços partilhados, compras, estudos mutualistas e secretariado geral, passou a não ter qualquer pelouro distribuído, soube o Jornal Económico.

O Público de hoje trazia em manchete a notícia de que estaria a ser preparar uma lista única contra Tomás Correia na liderança da Associação Mutualista Montepio Geral, cujas eleições são em dezembro.

Segundo o diário a lista alternativa a Tomás Correia, emana da administração executiva da Associação e é liderada por Miguel Coelho (economista e quadro do Montepio e vice-presidente do Instituto da Segurança Social nomeado pelo Governo anterior do PSD/CDS) e Fernando Ribeiro Mendes (economista e ex-secretário de Estado da Segurança Social e da Indústria, Comércio e Serviços de governos do PS).

Miguel Coelho, por sua vez, questionado sobre a notícia do Público, disse  que não ia fazer comentários à notícia. “Não vou fazer comentários sobre assuntos relacionados com a Associação Mutualista”, disse quando confrontado se podia confirmar a notícia (ou se a desmentia).

Miguel Coelho foi o único que votou o aumento de capital da Caixa Económica de 250 milhões, e contra a OPA lançada às unidades de participação do Montepio. Ribeiro Mendes votou a favor.

 

Relacionadas

Miguel Coelho “não comenta” lista única para substituir Tomás Correia no Montepio

Miguel Coelho tido como dissidentes da atual equipa de gestão da Associação Mutualista em funções, não quis comentar a notícia de que estaria a ser preparada uma lista única para competir com Tomás Correia nas próximas eleições de dezembro.

Montepio: oposição a Tomás Correia negoceia lista única

O jornal “Público” informa que os contactos entre dirigentes das listas adversárias de Tomás Correia intensificaram-se nas últimas semanas e que a alternativa que está a ser negociada deverá incluir, também, dissidentes da equipa de gestão em funções.
Recomendadas

“A Associação Mutualista vai voltar a ter resultados positivos este ano”

Tomás Correia diz que este ano a Associação vai ter lucros e vai começar a libertar imparidades da Caixa Económica, o que ajuda os lucros e os capitais próprios. Recusa qualquer relação privilegiada com o BES e admite escolher em breve o ‘Chairman’ do banco.

Lesados do BES: “Há centenas de queixas e o Ministério Público não dá seguimento”

Em declarações à Lusa, António Silva, um dos porta-vozes do grupo, garantiu que os lesados avançaram com queixas na justiça contra gerentes do antigo BES, mas não estão a ver resultados.

Associação de lesados do Banif espera solução até final de dezembro

Entre os lesados estão cerca de 3.500 obrigacionistas, grande parte das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, mas também das comunidades portuguesas na África do Sul, Venezuela e Estados Unidos, num total de perdas de 263 milhões de euros.
Comentários