Angola e Cabo Verde lançam ofensiva renovável

Os dois países lusófonos querem construir 750MW de potência renovável nos próximos anos. Empresas portuguesas já demonstraram interesse em participar nos projetos.

Angola e Cabo Verde vão lançar uma grande ofensiva de eletricidade verde nos próximos anos. Atentos à temática da sustentabilidade, os governos de Luanda e da Praia querem construir um total de 750 megawatts (MW) de potência renovável.
A maior fatia desta ofensiva cabe a Angola que pretende construir 500 MW em energia renovável, conforme revelou o secretário de Estado da Energia angolano.
“Temos 500 megawatts disponíveis para investimento privado. Achamos que com esses investimentos podemos acelerar a eletrificação do pais e fazer chegar à população melhores condições de vida”, disse António Belsa da Costa.
“Isto é direcionado para energias renováveis: eólica, solar, biomassa. Este concurso está em vias de ser lançado. Mas já temos muitos parceiros internacionais com interesse em apostar e em investir: americanos e europeus, incluindo portugueses”, afirmou o governante em declarações aos jornalistas à margem do Fórum de Energia de África, que decorreu em junho em Lisboa.
“Em termos de eletrificação do país, o nosso objetivo é chegarmos a 50% da população em 2022; estamos em 42%-45%. Para tal, temos de fazer um milhão de ligações aos domicílios; por ano vamos fazer 200 mil ligações”, anunciou.
O governante garantiu que o Governo angolano vai “trabalhar no sentido de poder cumprir esses prazos. Óxala os recursos financeiros não nos falhem, acreditamos que não e que vamos chegar aos 50% da população” com acesso à rede de eletricidade.
O secretário de Estado da Energia de Angola também adiantou que existe um projeto de “converter algumas turbinas a gasóleo para gás”.
“Temos o projeto “gas to power” do ministério da Energia e do ministério dos Recurso Minerais e do Petróleo que envolve a Prodel, empresa pública de produção, e a Sonangol [petrolífera], no sentido de fazer essa conversão, de passar essas maquinas para o gás”, explicou António Belsa da Costa.

Cabo Verde mais renovável
Cabo Verde é o outro país lusófono africano que está a apostar em força na eletricidade renovável. O Governo da Praia quer construir 250 megawatts de potência renovável nos próximos anos.
“Estamos a preparar investimentos privados para aumentar a capacidade de produção, mas também a preparar investimentos em infraestrutura estratégica para melhorar a qualidade ao nível das redes e permitir que haja mais penetração de energias renováveis”, disse o ministro da Indústria, Comércio e Energia de Cabo Verde, Alexandre Monteiro.

Até 2030, o Governo da Praia quer instalar 250 megawatts de potência: 160 MW de energia solar fotovoltaica e 90 MW de energia eólica.
O país tem 20% da sua produção de eletricidade a partir de fontes renováveis atualmente. Até 2030, o objetivo é atingir os 50% em 2030.
“A cobertura de acesso de energia atinge cerca de 95% da população a nossa meta é quase 100% em 2020”, declarou o ministro.
Alexandre Monteiro referiu que já há empresas portuguesas a construirem projetos renováveis em Cabo Verde.

Recentemente “foi assinado um acordo de instalação de uma central solar de 10 megawatts na ilha de Santiago. Foi uma empresa portuguesa que ganhou o concurso: a Tâmega Cabo Verde”. O objetivo é inaugurar a central até outubro de 2020.
“Vamos atingir os 250 megawatts utilizando a forma de contratação de mais potencia. As empresas portuguesas têm participado e acompanhado de perto”, revelou Alexandre Monteiro.

“Atendendo ao crescimento do país e do turismo, prevemos que nos próximos 10 anos o volume de energia duplique” em termos de produção, destacou o ministro.
“Esta é uma oportunidade, é um processo que está aberto a investimento privado, temos um processo simples. Começamos este ano, e depois continuamos a anunciar as nossas necessidades. Depois, estabelece-se um prazo para manifestação de interesse e depois os interessados qualificados recebem o dossier para apresentar propostas”, explicou Alexandre Monteiro.

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“Trabalho com bancos em Cabo Verde, com bancos em outros países africanos, bancos que nos apoiam, que acreditam nos projetos, que acreditam na validade dos projetos que nós propomos. Portanto, tenho muitas dívidas”, afirma a empresária angolana.

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