Dívida pública de Angola estimada em 70 mil milhões de dólares

Situação foi relatada hoje pela secretária de Estado para o Orçamento de Angola, Aia Eza da Silva, quando procedia a apresentação do Quadro Macroeconómico 2019 e os Limites da Despesa para Elaboração do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2019.

O Governo angolano estimou hoje que a dívida pública do país ronda os 70 mil milhões de dólares, garantindo que o Programa de Estabilização Macroeconómica “vai reduzir o peso da dívida”, prevendo já para 2019 um Orçamento sem défice.

A situação foi relatada hoje pela secretária de Estado para o Orçamento de Angola, Aia Eza da Silva, quando procedia a apresentação do Quadro Macroeconómico 2019 e os Limites da Despesa para Elaboração do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2019.

Aludindo aos 83 programas estruturantes constantes no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, a governante recordou que, no documento, estão expressos limites para as despesas, tendo exortado os ministros e governadores provinciais a estabelecerem prioridades.

“O plano é o mundo ideal, é o mundo em que, se pudéssemos, realizaríamos tudo. Mas, depois, temos de caminhar no mundo real, que é a limitação dos recursos que temos”, afirmou.

Apesar da subida do preço nos mercados internacionais do “Brent”, índice de referência das exportações do petróleo em Angola, a secretária de Estado para o Orçamento angolana pediu “ponderação”, recordando que o país se endividou muito nos últimos anos.

“Lembram-se que andamos a pedir muitos empréstimos, a nossa dívida governamental hoje está a rondar os 70.000 milhões de dólares. Não conseguiremos resolver isto se se continuar a fazer a despesa com o dinheiro que estiver a ganhar hoje”, disse.

“O Governo empenhou-se num Plano de Consolidação Fiscal, no quadro do Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), e estamos a querer provar à sociedade e aos parceiros financiadores de que estamos sérios no nosso plano”, acrescentou.

Falando hoje num encontro de auscultação com os parceiros sociais do Governo angolano sobre a proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2019, Aia Eza da Silva salientou que o PEM visa, entre vários propósitos “reduzir o nível de dívida” que o país tem.

“Não queremos continuar envolvidos em défices fiscais. Se ponho a despesa que o Governo todo pede para 2019 no OGE, ficamos com um défice fiscal que é próximo dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB)”, explicou.

No domínio dos pressupostos de referência para o OGE de 2019, a secretária do Estado para o Orçamento angolano fez saber que o exercício económico do próximo ano “provavelmente não terá défice”.

“[O OGE] não terá défice. Mas, depois, os governantes e sociedade civil virão a nós e dirão: ‘se não há défice podemos fazer despesas’. Quer dizer que a receita está já a ficar maior à despesa”, vaticinou.

Porém, observou, o excedente das receitas dos Orçamentos, a partir de 2019, servirá para liquidar as dívidas contraídas pelo país em anos anteriores.

“O que não podem esquecer, sobretudo nos próximos dois ou três anos, é o passivo. Vamos ter as contas acertadas, bonitas para 2019. Todavia, todo o excedente que se conseguir dessa receita vai para começar a liquidar o passivo”, argumentou.

Por sua vez, o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social de Angola, Manuel Nunes Júnior, que presidiu ao encontro, referiu que, em relação à dívida pública, “só será pagável de maneira sustentada se o país crescer”.

“Se o país não crescer, teremos uma situação bastante difícil do ponto de vista fiscal. Há uma regra básica que indica que, se a taxa de juro com que nós pedimos emprestado for superior a taxa de crescimento económico, estaremos numa situação complicada”, salientou.

“Temos de garantir que o nosso crescimento económico seja suficientemente dinâmico para permitir que esta dívida seja paga com nova riqueza criada pelo crescimento económico”, concluiu.

Ler mais
Recomendadas

Premium‘Bridge-jobs’: a solução para trabalhar mais tempo e salvar o sistema de pensões

Menos nascimentos e uma população mais envelhecida são o rastilho para a implosão do mercado de trabalho e do sistema de pensões. Apesar disso, os mais velhos poderão ser o balão de oxigénio de que vamos precisar no futuro.

PremiumConsumidores estão a mudar a produção

Cerealis, Grupo Primor, Novarroz e Tété faturam em conjunto cerca de 380 milhões de euros por ano e têm uma presença diversificada em mercados externos. Mas o segredo do negócio passa pela inovação.

Novas tarifas de Trump terão impacto de 1% no comércio internacional em 2020

A AP Moller-Maersk, empresa que realiza cerca de 20% do comércio marítimo mundial, estima que as tarifas já impostas pelos Estados Unidos tenham minado o comércio mundial em 0,5% este ano, e antecipa que o cenário piore em 2020.
Comentários