easyJet perde 315 milhões de euros no semestre

O total de receitas da easyJet no período em análise subiu 7,3%, para cerca de 2.682,7 milhões de euros, que compara com os cerca de 2,4 mil milhões registados no período homólogo do ano passado.

A companhia aérea ‘low cost’ easyJet encerrou o primeiro semestre do seu exercício (iniciado a 1 de outubro de 2018 e terminado a 31 de março deste ano) com perdas antes de impostos de cerca de 314,9 milhões de euros, valor que compara de forma negativa com os prejuízos antes de impostos de cerca de 20,6 milhões de euros no período homólogo de 2018.

Segundo a administração da easyJet, estes prejuízos são “um reflexo dos fatores determinantes para as receitas e os custos (…), da habitual sazonalidade da easyJet e do aumento da capacidade”.

A easyJet refere ainda que averbou perdas antes de impostos de cerca de 311,4 milhões de euros no semestre findo a 31 de março, “como reflexo de uma pequena redução de 3,4 milhões de euros em custos não globais”.

No primeiro semestre findo a 31 de março, a easyJet conseguiu um aumento do número de passageiros transportados 13,3%, 4,9 milhões, para um total de 41,6 milhões de passageiros.

“A capacidade aumentou 14,5%, sobretudo devido à anualização das novas operações em Berlim. A easyJet expandiu a capacidade da rede existente em 7%. A taxa de ocupação diminuiu um ponto percentual, para 90,1%, principalmente em resultado do reforço da ocupação em Berlim no primeiro trimestre”, explica um comunicado da companhia aérea.

O total de receitas da easyJet no período em análise subiu 7,3%, para cerca de 2.682,7 milhões de euros, que compara com os cerca de 2,4 mil milhões registados no período homólogo do ano passado.

Segundo a easyJet, este aumento ocorreu “graças ao aumento da capacidade e a um lucro cambial negativamente contrabalançado pelo abrandamento do mercado relacionado com o ‘Brexit’, o impacto da deslocação da Páscoa [para o segundo trimestre do ano civil, segundo semestre do ano fiscal da easyJet], a nova norma de contabilidade IFRS 15 e a anualização dos proveitos obtidos no exercício anterior com a falência da Monarch e o cancelamento de uma grande parte dos voos agendados pela Ryanair para o inverno de 2017/2018 no Reino Unido”.

A easyJet adianta que o total de receitas por assento diminuiu 6,3%, para cerca de 58 euros (cerca de 61,9 euros no período homólogo), uma descida a moeda constante.

“O custo global por assento subiu 3,9 % para cerca de 64,9 euros (cerca de 62,4 euros no período homólogo) em resultado dos aumentos de preço do combustível, do impacto cambial, da inflação de custos subjacentes, do investimento em iniciativas estratégicas e de resiliência, bem como do impacto dos ‘drones’ no aeroporto de Gatwick em dezembro. Estes impactos foram mitigados pelo programa de custos e pela atualização da frota. O custo global por assento excluindo combustível, a moeda constante, subiu 1,3%”, destaca o referido comunicado.

Em resumo, os responsáveis da easyJet consideram os resultados da companhia neste semestre foram de “acordo com o esperado”, tendo a empresa empregado um enfoque adicional nas iniciativas relacionadas com os custos, os clientes e as operações de forma a sustentar a perspetiva para o resto do exercício”, além de ter continuado “a investir na estratégia definida no quadro do nosso plano” estando “a alcançar bons progressos nas suas iniciativas estratégicas”.

“O modelo e a estratégia de negócio da easyJet sustentam-se num desempenho financeiro de referência no setor, consubstanciado num endividamento líquido de cerca de 230 milhões de euros a 31 de março de 2019 (ao abrigo da nova norma de contabilidade IFRS 16)”, destaca o comunicado da easyJet.

No que respeita a perspetivas para a globalidade do exercício em curso, “o lucro da easyJet para o exercício de 2019 permanece inalterado e em linha com as expectativas do mercado”.

“A easyJet continua a implementar a sua estratégia de forma a assegurar posições de liderança em aeroportos principais e fomentar um crescimento lucrativo, os dividendos e o fluxo de caixa”, enquanto “as reservas de bilhetes para o terceiro trimestre estão três pontos percentuais abaixo das do ano transato, na ordem dos 72 %, e mantêm o nível em termos homólogos no quarto trimestre, na ordem dos 34 %”, avança a empresa.

A easyJet estima ainda que o aumento de capacidade seja de cerca de 7% até ao final deste exercício.

“Estima-se agora que as receitas por assento a moeda constante no segundo semestre baixem ligeiramente. Contribui para este cenário o corrente impacto negativo da incerteza no mercado decorrente do ‘Brexit’, bem como o abrandamento generalizado da situação macroeconómica na Europa. Este fator é compensado pelo enfoque continuado em iniciativas de reforço do rendimento, a deslocação da Páscoa para o segundo semestre, os proveitos da introdução gradual da norma IFRS no segundo semestre, as melhorias em Berlim e uma capacidade de crescimento no mercado mais disciplinada”, prevê a companhia aérea ‘low cost’.

A easyJet prevê também que “o custo global por assento, excluindo combustível do exercício anual a moeda constante, partindo do princípio de que os níveis de perturbação no segundo semestre serão os habituais, deverá baixar ligeiramente”.

“Esta estimativa conta com os proveitos que esperamos retirar do investimento na resiliência operacional para enfrentar o impacto das perturbações no segundo semestre”, explicam os responsáveis da transportadora aérea.

A easyJet estima igualmente que, se as taxas de câmbio atuais se mantiverem e o preço do combustível para aviação se cifrar entre os cerca de 535 e os 625 euros por tonelada, a fatura unitária de combustível para os 12 meses findos a 30 de setembro de 2019 aumente entre cerca de 28,6 e 68,7 milhões de euros em comparação com os 12 meses findos a 30 de setembro de 2018.

“O custo total de combustível da easyJet para o ano até 30 de setembro de 2019 é atualmente estimado em aproximadamente em cerca de 1,6 mil milhões de euros”, adianta a companhia.

Por outro lado, a empresa calcula que “as oscilações cambiais deverão ter um impacto positivo de cerca de 11,45 milhões de euros no lucro global antes de impostos em comparação com os 12 meses findos a 30 de setembro de 2018”.

“A easyJet procura agora consolidar as posições mais de maior destaque que conquistou nos últimos anos, pelo que, o aumento de capacidade no exercício de 2020 deverá situar-se no intervalo inferior das taxas de crescimento históricas da companhia”, conclui o referido comunicado.

 

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