Multimilionários prometeram milhões para reconstruir Notre Dame. O dinheiro ainda não chegou

As duas grandes empresas foram contactadas, posteriormente, pela ‘Associated Press’ sobre a falha em cumprir as promessas da doação do dinheiro, e as empresas sublinharam que ainda o pretendiam fazer.

Ian Langsdon / EPA

O símbolo do catolicismo e uma das maiores construções de Paris ardeu no dia 15 de abril, e os planos para a sua reconstrução são muitos. No entanto, depois de dois meses, o dinheiro que as duas famílias multimilionárias prometeram doar ainda não chegou às contas para o fim, diz a ‘Associated Press’.

De acordo com a igreja da Catedral Notre Dame e os responsáveis pelo fundo, afirmam que cidadãos americanos e franceses são os que mais estão a doar para a restauração do monumento francês. Até agora, o dinheiro disponível do fundo está a ser usado para pagar contas e os salários de 150 trabalhadores que a Catedral empregou para limpezas desde que o fogo consumiu o teto do edifício.

A ‘Associated Press’ afirma que a instituição de caridade ligada à reconstrução, está a realizar o primeiro pagamento à catedral, no valor de 3,6 milhões de euros.

O presidente da organização ‘Amigos da Notre Dame de Paris’, fundada em 2017, Michael Picaud, disse à agência que 90% das doações recebidas são provenientes de doadores norte-americanos. “Os americanos são muito generosos em relação à Notre Dame, uma vez que o monumento é muito amado na América do Norte”, assumiu, continuando que “seis dos nossos 11 membros do conselho são residentes nos Estados Unidos da América”.

O principal herdeiro da fortuna de François Pinault, garantiu na altura que “o meu pai [François Pinault] e eu decidimos desbloquear 100 milhões de euros da Artemis para participar no esforço necessário para a reconstrução completa de Notre Dame”. Sabe-se então que o dinheiro não chegou, sendo que a fortuna da família está avaliada em 35 mil milhões de dólares, segundo a Forbes.

O multimionário francês Bernard Arnault comprometeu-se a doar 200 milhões de euros, através da sua empresa LVMH, ligada à Louis Vuitton. O dinheiro também ainda não chegou às contas que prometem reconstruir o edifício cuja construção demorou 182 anos até estar concluída.

Andre Finot, responsável pela imprensa de Notre Dame, garantiu que nenhum dos doadores pagou porque estão à espera para ver os planos da reconstrução. “Os grandes doadores não pagaram. Nem um cêntimo. Eles querem saber como é que o seu dinheiro vai ser gasto e, se concordarem em entregá-lo, não vai ser apenas para pagar os salários dos funcionários”, esclareceu Finot.

As duas grandes empresas foram contactadas, posteriormente, pela ‘Associated Press’ sobre a falha em cumprir as promessas da doação do dinheiro, e as empresas sublinharam que ainda o pretendiam fazer.

Até lá, e sabendo que já se passaram dois meses desde que o pináculo da Catedral sucumbiu perante as chamas, é impossível saber se os dois multimilionários irão cumprir as promessas de doação para reconstruir o ícone católico francês.

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