Quatro candidatos na corrida à Universidade de Coimbra

Três portugueses e uma brasileira-sueca disputam esta segunda-feira, 11 de fevereiro a liderança da universidade mais antiga do país. Pelo caminho, ficou um quinto candidato, natural de Singapura. Nunca uma eleição na academia suscitou tanto interesse internacional.

Os professores da Universidade de Coimbra (UC) Amílcar Falcão, Ernesto Costa e José Pedro Paiva concorrem ao lugar que João Gabriel Silva vai deixar vago após completar o seu segundo mandato como reitor. O Jornal Económico sabe que na corrida ao cargo está igualmente Duília Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Católica da América.

Além do elevado número de candidatos que vão a votos no dia 11 de fevereiro, esta eleição fica marcada pelo grande interesse internacional que suscitou. Da Universidade de Macau chegou ainda um quinto interessado, o professor Yang Chen, nascido em Singapura, que, apesar de ter sido aceite, acabou por retirar a candidatura a 14 de janeiro.

Dos quatro candidatos que vão a votos quase se pode dizer que o primeiro na ordem alfabética – Amílcar Falcão joga em casa: vice-reitor da Universidade de Coimbra desde 2011, tutela atualmente as áreas da investigação, inovação, empreendedorismo e desporto. Assenta a sua candidatura no lema dos Jogos Olímpicos, Citius, Altius, Fortius (mais rápido, mais alto, mais forte) e faz da necessidade de afirmar globalmente a UC enquanto universidade de investigação uma das suas bandeiras. Defende “uma aposta forte na investigação, um reforço no ensino e a transferência de conhecimento. “Não se ensina o que não se sabe e não se transfere o que não se tem. Temos de formar pessoas competentes e ser proativos na ligação à sociedade”, afirma o antigo diretor da Faculdade de Farmácia.

Duília Fernandes de Mello é segunda na ordem alfabética. Cidadã brasileira e sueca com residência permanente nos Estados Unidos tutela a investigação e avaliação da Universidade Católica da América, em Washington DC. A especialista em astrofísica extragaláctica baseia o seu programa “Coimbra – a Universidade do futuro” em três pilares: “Excelência académica, Pesquisa (investigação) competitiva e Internacionalização com diversidade”. Entre as muitas propostas que defende, está, por exemplo, o aumento dos cursos de dupla titulação e uma maior aposta no financiamento externo da investigação. No seu plano de ação, a candidata pugna pela utilização do “Orçamento de Estado da melhor maneira possível para financiar” a investigação na universidade, apontando a captação de estudantes “em todos os níveis” de ensino como uma outra via importante de financiamento.

Ernesto Costa, um dos fundadores do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra e o seu primeiro presidente eleito, está igualmente na corrida para reitor. O professor da Faculdade de Ciência e Tecnologia com interesse científico na área da inteligência artificial, diz que o momento atual da universidade “requer não apenas a responsabilidade como também um compromisso de mudança”. E justifica: “A mudança que reivindico, começa com a alteração do relacionamento entre o governo da universidade e os seus membros, consubstanciada numa lógica de diálogo que reconheça a dimensão estratégica da investigação e a necessidade da sua coordenação efetiva; que reforce a dimensão internacional da universidade e promova a multiculturalidade; que se preocupe com as questões da cidadania, abarcando propostas concretas para tornar realidade a igualdade de género; que tenha consciência das implicações profundas da revolução digital para o processo de ensino/aprendizagem…”. O candidato defende ainda um aprofundamento das ligações entre a universidade e a sociedade, que “permita à Universidade de Coimbra retomar o seu papel de interveniente nos grandes debates do nosso tempo através do exercício do pensamento crítico.”

José Pedro Paiva encerra a lista de candidatos a reitor para o quadriénio 2019-2023. O diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e responsável pelo Arquivo da Universidade de Coimbra desde 2011 candidata-se à liderança da mais antiga instituição do ensino superior de Portugal com o lema “Honrar o Passado Enfrentar o Presente Projetar o Futuro”. Defende que a UC tem de ser pioneira na produção de novo conhecimento e de saber aplicá-lo e valorizá-lo do ponto de vista dos seus impactos económicos e sociais. “Temos de ter a ambição de ser uma universidade de investigação, que contribua para a resolução dos grandes problemas com que as sociedades e os indivíduos se confrontam”. E que são, segundo explica, “as questões do ambiente, as alterações climáticas, o envelhecimento e a saúde das populações, a coesão e o ordenamento territorial, a mobilidade urbana, as desigualdades sociais em sociedades cada vez mais articuladas através de relações virtuais, os amplos fluxos migratórios”.

O futuro reitor da UC é eleito em reunião plenária do Conselho Geral, constituído por 18 representantes dos professores e investigadores, cinco estudantes, dois trabalhadores não docentes e não investigadores e dez elementos externos à instituição.

Artigo publicado na edição 1973, de 25 de janeiro, do Jornal Económico

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