Respostas Rápidas: Afinal, o que vai acontecer aos preços da luz?

“Temos de dar um passo atrás e olhar para aquele que foi o preço da energia no último ano. O preço no mercado ibérico de energia subiu 24%, comparando de setembro de 2016 a setembro de 2017. No regulado, o valor da energia que está considerado só sobe 6%. Se estiverem a prever um custo inferior ao da realidade ‘empurram’ isso para 2019″, explica ao Jornal Económico Miguel Stilwell de Andrade, administrador da EDP.

Quais são as tarifas e os preços para a energia elétrica em 2018?

Os consumidores portugueses do mercado regulado vão pagar menos 0,2% pela eletricidade em 2018, segundo as tarifas mais recentes da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que entram em vigor no próximo ano. Em 2018, a variação das tarifas de venda a clientes finais em contratos de baixa tensão normal (BTN) – domésticos e pequenos negóciosé de -0,2% e corresponde à primeira descida do preço final da eletricidade em quase duas décadas.

A tarifa social da eletricidade continuará a representar um desconto de 33,8% face às tarifas transitórias de venda a clientes finais (antes do IVA e outras taxas) – isto é, os preços de referência do mercado regulado -, mas os consumidores que já estão no mercado livre beneficiam da mesma redução.

Tal como exemplifica o regulador, a expressão no orçamento familiar da redução subjacente às tarifas transitórias é de 0,09 euros para uma fatura média mensal de 45,7 euros. Quanto aos consumidores com tarifas sociais, terão uma diminuição na fatura mensal de eletricidade no valor de 0,05 euros para uma fatura média mensal de 20,4 euros.

O que é que decidiu a EDP?

A EDP Comercial anunciou esta quinta-feira que as tarifas do mercado livre vão subir, em média, 2,5% a partir de dia 18 de janeiro de 2018.

“Depois de serem publicadas as tarifas, estivemos a analisar o documento e a percorrer uma série de cenários e a atualização vai ser em média de 2,5%. A forma como construímos os preços foi para proteger e privilegiar famílias/casas onde continuamos a ser competitivos face à tarifa regulada. Nas segundas habitações, garagens ou arrecadações continuamos a ser menos competitivos, porque têm mais potência e menos consumo do que a média”, explicou ao Jornal Económico Miguel Stilwell de Andrade, administrador da EDP.

A atualização vai abranger cerca de 4 milhões de consumidores e terá um impacto médio de menos de euro nas faturas mensais. Tal como a DECO, o responsável da EDP aconselha os clientes a terem em conta os vários aspetos da conta da luz, nomeadamente a componente fixa (potência) e a componente variável (consumo), que tipicamente representa 75% de uma fatura média.

Miguel Stilwell de Andrade salienta que a empresa procurou ter fazer uma redução na componente do consumo, subindo a da potência. Na tarifa bi-horária, os preços da EDP Comercial vão ser entre 1% e 3% mais altos do que os praticados aos clientes que ainda têm tarifa regulada.

Por outro lado, a EDP Serviço Universal (EDP SU), cujas tarifas são definidas pela ERSE, vai reduzir as suas tarifas em 0,2% em 2018, conforme publicado pelo regulador. A atualização entrará em vigor no próximo dia 1 de janeiro e tem impacto em cerca de 1,2 milhões de clientes domésticos que estão no mercado regulado de eletricidade.

A que se deve a diferença face ao mercado regulado?

“Temos de dar um passo atrás e olhar para aquele que foi o preço da energia no último ano. O preço no mercado ibérico de energia subiu 24%, comparando de setembro de 2016 a setembro de 2017. No regulado, o valor da energia que está considerado só sobe 6%. Se estiverem a prever um custo inferior ao da realidade ‘empurram’ isso para 2019. O consumidor no mercado livre tem de ir ao mercado comprar energia e refletir isso nos preços”, argumentou ao semanário o porta-voz da energética.

O que vão fazer as outras empresas do mercado livre?

Os restantes fornecedores de eletricidade do mercado liberalizado estão autorizados a subir os preços. A Galp Energia adianta que não tomou, até ao momento, qualquer decisão de alteração da sua política comercial. O Jornal Económico tentou contactar a Iberdrola e a Endesa mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

Quando é que o cliente pode voltar ao mercado regulado?

Os consumidores que mudaram para o mercado liberalizado de eletricidade podem voltar ao regime regulado a partir de 1 de janeiro do próximo ano. A possibilidade estende-se aos novos contratos e foi estabelecida pela Lei n.º 105/2017, publicada em Diário da República a 30 de agosto, e pela Portaria n.º 348/2017, de 14 de novembro.

Como comparar preços?

Os consumidores que tenham dúvidas sobre a transição para o mercado liberalizado podem utilizar os cinco simuladores que a ERSE disponibiliza na sua página oficial para comparar os preços da energia elétrica.

Um inquérito da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO Proteste), realizado entre março e abril através de uma amostra de 8298 respostas, concluiu que 25% dos consumidores inquiridos tiveram, pelo menos, um problema com o fornecedor de electricidade e gás. Os inconvenientes mais comuns foram falhas na faturação (27%) e informação incompleta ou errada (24%)

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O regulador esclarece que apenas fixa as tarifas para o mercado regulado, que vão ter uma redução de 0,2% em 2018, e que no mercado livre, “os comercializadores só incorporam no preço as Tarifas de Acesso às Redes fixadas pela ERSE que, em 2018, se reduziram em -4,4%”.

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A EDP Comercial vai aumentar em média o preço da eletricidade em 2,5% em 2018, devido à subida do preço da energia do mercado grossista no último ano na ordem dos 24%, disse o presidente da empresa à Lusa.

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“É preciso distinguir o mercado regulado, que vai ter uma descida de preços, que foi anunciada, e onde as tarifas são totalmente reguladas pela ERSE (entidade reguladora), do mercado livre, onde os comercializadores têm a liberdade para estabelecer os preços”, explicou a jurista Carolina Gouveia.

Eletricidade: Portugueses podem voltar ao mercado regulado daqui a uma semana

Dentro de uma semana, os consumidores que mudaram para o mercado liberalizado de eletricidade podem voltar ao regime regulado. Num mercado com pouca concorrência, esta alteração pode ser o “abanão” necessário para oferecer tarifas mais baixas, defende a Deco Proteste.
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