Ressalvando que o Banco Central Europeu (BCE) é “soberano na definição da política monetária”, António Costa pronunciou-se hoje desfavoravelmente à forma como a instituição liderada por Christine Lagarde se tem debruçado sobre a inflação.
“Acho que não tem havido a suficiente compreensão por parte do BCE da natureza específica do ciclo inflacionista que temos estado a viver e também a não ter em devida conta os fatores que têm alimentado esta tensão inflacionista”, afirmou o primeiro-ministro português antes do Conselho Europeu, que decorre esta quinta-feira, em Bruxelas, com os temas das migrações e do reequilíbrio da estratégia para a China entre os principais pontos da agenda dos líderes reunidos na capital belga.
Segundo Costa, “hoje é mais ou menos claro que sobretudo o aumento de lucros extraordinários tem contribuído mais para a manutenção da inflação do que as subidas salariais”.
A falta de compreensão da natureza do ciclo inflacionista “limita muito a capacidade de o enfrentar, porque se não acertamos bem no diagnóstico, a terapia raramente acerta”.
“Como o senhor governador do Banco de Portugal ontem anunciou, a partir de setembro vamos começar a retomar uma trajetória de política monetária mais adequada àquilo que é o fundamental, que é salvaguardar as condições de vida das famílias, a capacidade de as empresas investirem e de a economia continuar a crescer e a gerar empregos com salários melhores”.
A presidente do BCE afastou ontem, no última dia do Fórum BCE, em Sintra, a possibilidade de haver uma pausa nas subidas das taxas de juros.
“Não estamos a pensar nisso neste momento”, disse Christine Lagarde, recordando que a inflação atingiu um máximo de 10,3% na zona euro, mas que já recuou para 6,1%.
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