O resultado é o livro “Eucalipto – História, Território e Conhecimento”, uma obra rigorosa e acessível que responde a dúvidas frequentes, clarifica conceitos e oferece uma visão informada e abrangente sobre a realidade do património florestal em Portugal. “A floresta portuguesa é, na sua essência, uma floresta plantada, representando esta cerca de 70% da área florestal total do país. Esta realidade confere-lhe um papel socioeconómico e ambiental de relevo. No entanto, enfrenta desafios estruturais profundos. A fragmentação da propriedade e o abandono rural dificultam a implementação de uma gestão ativa e eficaz do território. Este abandono, aliado à consequente falta de gestão, potencia o risco de incêndios rurais, que constituem uma das maiores ameaças à nossa floresta, causando prejuízos económicos, sociais e ambientais significativos. A degradação dos povoamentos, nomeadamente de eucalipto, não só reduz a produção nacional de madeira e aumenta a necessidade de importações, como também contribui para perceções negativas associadas a certas espécies”, diz Francisco Gomes da Silva, coautor do livro.
A obra nasce da vontade de aproximar o conhecimento técnico-científico das pessoas, mostrando que a floresta portuguesa é um dos maiores recursos naturais do país e que, quando bem gerida, desempenha um papel essencial na proteção do solo e da água, na mitigação das alterações climáticas e na criação de riqueza e emprego, sobretudo em muitos territórios do interior. As políticas públicas têm, infelizmente, revelado limitações na resposta aos desafios estruturais. Têm sido instáveis, frequentemente reativas (e sempre tardiamente), desordenadas, não raramente contraditórias e crescentemente restritivas das melhores práticas de silvicultura e de gestão florestal, especialmente no rescaldo de épocas de incêndios gravosos. “Esta abordagem penaliza fileiras competitivas e não reflete o desenvolvimento de práticas silvícolas responsáveis. Além disso, o acesso aos instrumentos públicos de gestão e ordenamento é dificultado pelo excesso de burocracia e por baixas taxas de aprovação de projetos, o que desincentiva a adesão dos produtores florestais. É evidente a necessidade de políticas que incentivem o investimento na sustentabilidade e na gestão ativa, reconhecendo que uma floresta bem gerida é fundamental para o desenvolvimento económico, para uma adequada gestão e proteção dos recursos naturais e para a redução do risco de incêndios”, acrescenta o especialista.
O livro foi desenvolvido com base no conhecimento científico e técnico reunido pelo Fórum do Eucalipto, durante cerca de 18 meses, integrando contributos, opiniões e sugestões de cerca de 400 especialistas e intervenientes no setor. Editado pela The Navigator Company, o livro resulta do trabalho multidisciplinar desenvolvido no âmbito do Fórum do Eucalipto, que reuniu dezenas de especialistas e sintetizou conhecimento técnico e científico de forma estruturada e independente ao longo de 18 meses. A obra organiza-se em capítulos dedicados a temas essenciais como biodiversidade, água e solos, gestão florestal, risco de incêndio, sustentabilidade e bioeconomia, recorrendo sempre a uma linguagem clara e pensada para o leitor não especialista.
“Ainda há um longo caminho a percorrer. Embora se reconheça que as florestas geram um valor imenso em serviços de ecossistemas (estimado em 4,3 mil milhões de euros em Portugal), os mercados existentes destinados a valorizar estes serviços são maioritariamente voluntários e carecem de referenciais claros para a sua monetização. Frequentemente, as plantações florestais são excluídas destes sistemas sob a premissa de que já possuem rentabilidade própria, o que limita o seu potencial de valorização e sustentabilidade. É necessário integrar plenamente este valor ecológico nas políticas de ordenamento”, explica Francisco Gomes da Silva.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com