As reações dos partidos à OPA da EDP pela China Three Gorges

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Ascenso Simões (PS) diz que “faz sentido”, Fernando Negrão (PSD) pede às entidades reguladoras que “estejam atentas”, Nuno Melo (CDS-PP) diz que é uma questão “de mercado” e não política, Jorge Costa (BE) pede extinção das “rendas garantidas” e Jerónimo de Sousa (PCP) defende renacionalização da EDP.

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Ascenso Simões: “Faz sentido que seja a China Three Gorges a ocupar-se da determinação estratégica do grupo EDP”

Em declarações ao Jornal Económico, a propósito da Oferta Pública de Aquisição (OPA) que a China Three Gorges (CTG) lançou sobre a EDP, Ascenso Simões começa por sublinhar que “Portugal cometeu um erro gravíssimo ao permitir que o Estado alienasse a totalidade do capital social que detinha nesta empresa”.

No entanto, “a realidade de hoje é irreversível e devemos olhar para os movimentos de fusão e aquisição que se estão a verificar em muitos países”, afirma o deputado do PS e antigo administrador da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

“Tendo em conta a realidade acionista da EDP, faz sentido que seja a CTG a ocupar-se da determinação estratégica do grupo EDP, assumindo uma posição acionista relevante e alimentando as contingências acionista no que se refere aos direitos de voto”, considera Simões.

Questionado sobre eventuais desafios ao nível da regulação, o deputado responde que “as questões relativas à regulação foram praticamente esclarecidas no processo de privatização, não sobrando qualquer impedimento visível relativamente à circunstância de a EDP e a REN terem, aparentemente e só aparentemente, uma ligação acionista”.

Por outro lado, Simões diz que “a aceitação da OPA está limitada, numa primeira fase, pelo mercado, mais do que por qualquer outra circunstância. E numa segunda etapa pode estar dependente, na sua formatação final, pela regulação de outros países que não integram a União Europeia”.

 

PSD pede a reguladores que estejam atentos a OPA sobre a EDP

O líder parlamentar do PSD pede às entidades reguladoras que estejam atentas à oferta pública de aquisição (OPA) sobre a EDP para acautelar a garantia de uma concorrência leal e “outras questões de procedimentos”.  A reção de Fernando Negrão à oferta dos acionistas chineses da elétrica portuguesa surge depois de o líder do PSD ter recusado comentar, na sexta-feira, a oferta da  China Three Gorges (CTG) que quer obter a maioria do capital da EDP.

“Trata se de uma matéria que corre e deve correr entre privados, onde o Estado já não tem instrumentos diretos de intervenção. O que deve ser acautelado, como as questões de procedimentos, a garantia de uma concorrência leal e outras, deve ser levado a cabo pelos respectivos reguladores que gozam de independência para o efeito”, avançou ao Jornal Económico Fernando Negrão em reacção à OPA voluntária lançada na sexta-feira pela CTG sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros.

Do maior partido da oposição, na sexta-feira, só o presidente do PSD, mas disse apenas que ainda é cedo para fazer qualquer comentário. Em Beja, Rui Rio recusou comentar a possibilidade de os chineses avançarem com uma OPA sobre a EDP.

 

CDS-PP pede a reguladores para escrutinar processo

Também neste domingo, 13 de maio, o CDS-PP pediu às entidades reguladoras para estarem atentas à OPA sobre a EDP, não comentando, contudo, a operação.

“Há entidades que são reguladores e supervisoras e o que pedimos e esperamos é que estejam atentas e escrutinem todo o processo para que todo o processo decorra nos estritos termos da lei”, afirmou ontem o vice-presidente do partido, Nuno Melo.

O dirigente centrista notou que é “uma empresa que é privada e que tem existência nos mercados”, indicando que, por regra, o partido não comenta estes assuntos. Para Nuno Melo “a questão não é de política, é de mercado. Se uma empresa está no mercado, as regras são as do mercado, não são as da política”.

O vice-presidente do CDS-PP considerou ainda que “o mercado tem de funcionar” e que “a única coisa que o poder político pode exigir é que todos os poderes reguladores e de supervisão estejam atentos e evitem que alguma coisa se possa processar à margem da lei”.

“Estamos atentos em relação a tudo o que tem que ver, desde logo, com empresas que são fundamentais e estratégica para Portugal”, acrescentou.

 

Jorge Costa diz que OPA da EDP “é uma oportunidade única para impor eliminação das rendas garantidas”

Em reação ao anúncio da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da EDP pela China Three Gorges, empresa estatal chinesa, Jorge Costa, deputado do Bloco de Esquerda (BE), considera que a operação “coloca duas questões principais. Uma, a da propriedade desta companhia estratégica, que se tornou numa multinacional com o capital acumulado pela extorsão aos consumidores portugueses. A EDP e a REN foram pagas por nós e devem voltar a ser públicas. E a União Europeia não pode proibir o Estado português de deter uma elétrica se permite que ela seja detida pelo Estado chinês”.

“A segunda questão é a da decisão do Governo sobre a OPA”, prossegue Costa, em declarações exclusivas ao Jornal Económico. “Esta operação só pode realizar-se com o aval do Estado português. Essa posição de força é uma oportunidade única para finalmente impor aos interessados na EDP a redução da fatura elétrica através da eliminação das rendas garantidas à custa dos consumidores”, defende o deputado bloquista.

 

Jerónimo de Sousa critica OPA e defende renacionalização da EDP

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu no sábado, dia 12 de maio, a necessidade de recuperação do controlo público da EDP, sublinhando que a empresa “não pode estar sujeita à disputa por parte de grupos económicos ou de Estados estrangeiros“.

“Aquilo que pode e deve ser determinante para o futuro da EDP é a recuperação do controlo público da empresa elétrica nacional”, afirmou Jerónimo de Sousa, reagindo assim à Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o capital da EDP lançada na sexta-feira pela China Three Gorges.

Para o líder do PCP, “uma empresa que é estratégica para os interesses nacionais, da qual depende grande parte da economia portuguesa, tal como o conjunto de equipamentos e funções públicas, não pode estar sujeita à disputa por parte de grupos económicos ou de Estados estrangeiros sobre o seu controlo acionista”.

“Aquilo que o país precisa é que as suas empresas estratégicas, em vez de estarem nas mãos de grupos económicos americanos, alemães, franceses, espanhóis ou chineses, estejam nas mãos do Estado português, para servir o povo, para servir o desenvolvimento do país”, acrescentou.

 

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