CGD: Vice-governadora Elisa Ferreira diz não haver razões para pedir escusa sobre auditoria

A Lusa questionou o banco central se Elisa Ferreira ponderava pedir escusa à análise da auditoria sobre a CGD, depois de ter sido conhecido que o seu marido foi vice-presidente da espanhola La Seda, que recebeu créditos do banco público que resultaram em prejuízos para o banco público.

Cristina Bernardo

O Banco de Portugal disse hoje que a vice-governadora, Elisa Ferreira, considera não existirem razões que possam influenciar a sua atuação na supervisão da CGD, não tendo pedido escusa da participação em decisões sobre situações analisadas na auditoria.

A Lusa questionou o banco central se Elisa Ferreira ponderava pedir escusa à análise da auditoria sobre a CGD, depois de ter sido conhecido que o seu marido foi vice-presidente da espanhola La Seda, que recebeu créditos do banco público que resultaram em prejuízos para o banco público.

Em resposta à Lusa, o Banco de Portugal diz que as suas competências “incidem direta e exclusivamente sobre as instituições financeiras supervisionadas” e que “não se pronuncia, nem tem essa competência, sobre a qualidade de gestão de empresas comerciais, nem sobre os projetos de financiamento que submetem à consideração dos bancos sujeitos a supervisão”.

Sobre a concessão de créditos pela CGD à Artland (nome do projeto da La Seda em Sines), diz o Banco de Portugal que “a contratualização dos primeiros créditos (…), de valor ainda reduzido, data de 07 de maio de 2008, e foi a partir de 2010 que a exposição creditícia da CGD perante a Artlant aumentou significativamente”.

Já “o marido de Elisa Ferreira, Fernando Freire de Sousa, deixou de ter qualquer envolvimento tanto na atividade dessa empresa, como na atividade da sua participada em Portugal Artenius Sines (posteriormente Artlant) a partir de abril de 2008”, acrescenta o banco central.

Assim, diz o Banco de Portugal, “a vice-governadora considera que não existem razões que possam influenciar, ou que possam dar a aparência de influenciar, a sua atuação em matéria de supervisão da CGD”.

Nos últimos dias, o Banco de Portugal tem estado envolvido em polémica desde logo devido à intervenção do governador, Carlos Costa, na concessão de créditos problemáticos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) quando era administrador do banco público, entre 2004 e 2006.

A Sábado noticiou que Carlos Costa participou na aprovação de “créditos ruinosos a Berardo e Manuel Fino”, depois de consultas a atas da CGD que referem que “esteve em pelo menos quatro reuniões do Conselho Alargado de Crédito nas quais foram aprovados empréstimos a devedores problemáticos”.

Já o Jornal Económico noticiou que o governador “ficou de fora do exame [de idoneidade] que o próprio supervisor está a realizar aos antigos administradores da CGD, apesar de ter estado no banco público entre 2004 e 2006”.

Na sexta-feira, o governador fez um esclarecimento a dizer que pediu para não participar nas decisões do banco central sobre a auditoria da EY à CGD, o que foi aceite pelo Conselho de Administração.

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