José Maria Ricciardi: Reguladores “devem ter capacidade para avaliar situações dúbias”

José Maria Ricciardi criticou a discussão que está a ser trazida para a praça pública sobre quem eram os grandes devedores à banca. Também os políticos não escaparam à análise do banqueiro, a quem Ricciardi não reconhece “a capacidade para discernir as operações de crédito feitas menos aceitáveis” e outras que falharam por razões económicas.

Cristina Bernardo

Jose Maria Ricciardi, managing partner da Optimal Investments, salientou que Portugal precisa de mais investimento. Cerca de “84% dos portugueses ganham menos de 1.500 euros por mês. O nosso nível de vida é baixo e desigual, porque há pouca produção e pouco investimento”, disse.

Durante o discurso, no âmbito da conferência “A Economia Mundial em 2019”, realizada em Lisboa e promovida pelas consultoras Arcano Partners e Optimal Investments, e da qual o Jornal Económico é media partner, o banqueiro falou da importância da estabilidade e da confiança para que o investimento possa aumentar.

Neste contexto, José Maria Ricciardi criticou a discussão que está a ser trazida para a praça pública sobre quem eram os grandes devedores à banca. Lá fora, “houve banqueiros e traders que foram presos e não se assistiu a uma discussão destas publicamente”.

Na opinião do ex-presidente do Haitong, as entidades reguladoras, que vão desde a CMVM ao Banco de Portugal, passando, quando é caso disso, pelo Ministério Público, “devem ter capacidade para avaliar situações dúbias” que envolveram empréstimos concedidos pela banca às empresas.

José Maria Ricciardi defendeu que, no passado, houve empréstimos concedidos a empresas que depois, por situações puramente económicos ou de estratégia de negócio, falharam, obrigando os bancos a registar imparidades nos respetivos balanços. Outra coisas foram empréstimos “em condições dúbias”. Também os políticos não escaparam à análise do ex-gestor, a quem Ricciardi não reconhece “a capacidade para discernir as operações feitas, que eu disse anteriormente, e outras menos aceitáveis”.

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