Reino Unido e Arábia Saudita assinam acordo de 72 mil milhões

O príncipe herdeiro saudita está em visita de charme ao Reino Unido, mas a oposição Trabalhista aconselha Theresa May a não se deixar encadear por alguém que deixa demasiadas perguntas sem resposta.

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O Reino Unido e a Arábia Saudita acordaram um plano mútuo comercial e de investimentos orçado em 90 mil milhões de dólares (quase 72,5 mil milhões de euros), a realizar nos próximos anos. O plano foi estabelecido numa reunião entre a primeira-ministra britânica, Theresa May, e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, reunidos em Londres.

O príncipe também foi recebido pela rainha Elizabeth II durante a viagem de três dias destinada a ‘aprender’ diplomacia externa – numa altura em que se prepara assiduamente para se capacitar como futuro dirigente do país – o que, entre outros destinos, o levará a um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

O príncipe, que anunciou planos para uma reforma económica da Arábia Saudita – que passa pela abertura das fronteiras ao investimento externo (nomeadamente no que tem a ver com o setor do petróleo) e pela diversificação em relação àquela energia fóssil – e avançou com um plano de repressão à corrupção desde sua nomeação em junho, foi elogiado pela primeira-ministra britânica a propósito doesse programa, conhecido como Visão 2030, em particular permitindo que as mulheres tomassem parte em eventos esportivos.

O programa é “um plano ambicioso para a reforma interna, que visa criar uma economia próspera e uma sociedade vibrante – as condições essenciais para a estabilidade e o sucesso a longo prazo do reino”, disse um porta-voz de Theresa May em comunicado.

No que tem a ver com o plano mútuo, o memorando de entendimento tem 14 acordos comerciais que devem ser assinados durante a visita, mas as autoridades britânicas não esperam uma decisão sobre quem será o ‘hóspede’ da oferta pública inicial de venda de ações da empresa estatal do petróleo, a Aramco. Os mercados de capitais de Londres e de Nova Iorque venceram em conjunto para a oferta pública ali ter lugar, mas segundo a agência Bloomberg, o anúncio não está iminente.

Por outro lado, a Grã-Bretanha é o segundo maior fornecedor de equipamento de defesa da Arábia Saudita e a BAE Systems, com sede em Londres, estava à espera de uma encomenda de armamento, nomeadamente do Eurofighter Typhoon, um caça de guerra. Mas, para já, não há nada decidido sobre a matéria. Neste segmento, a visita do príncipe herdeiro saudita atraiu protestos contra a venda de armas por parte da Grã-Bretanha à Arábia Saudita, nomeadamente por causa da guerra em curso no Iémen, vizinho da Arábia Saudita – mais um palco da confrontação entre sauditas e iranianos.

Mais protestos, ou algo parecido, vieram da parte do Partido Trabalhista, com da sua porta-voz a afirmar em entrevista à Bloomberg TV que o Reino Unido não deve ficar encadeado pelo encanto do príncipe Mohammed. Emily Thornberry afirmou que o responsável saudita tem muito que explicar sobre o envolvimento na guerra civil no Iémen, sobre financiamento de grupos armados na Síria e sobre os direitos humanos no sei próprio país.

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