Surpresa sem sequela: nova subida do ‘rating’ pela S&P é pouco provável, dizem analistas

As negociações sobre o Orçamento de Estado de 2019 e as nuvens que começam a ensombrar a economia global deverão travar uma nova subida da notação pela Standard & Poor’s esta sexta-feira. Os analistas vêem como possível, no entanto, uma melhoria no ‘outlook’, como reconhecimento dos resultados económicos.

Há um ano (menos um dia), a agência de notação Standard & Poor’s (S&P) surpreendeu ao promover a avaliação Portugal para grau de investimento, abrindo caminho para um descida no custo do financiamento. Uma repetição desse upgrade é pouco provável esta sexta-feira, mas os analistas antevêem uma melhoria na perspetiva.

“Esperamos um melhoria no outlook de estável para positivo mas não temos expectativas de alteração no rating“, referiu Filipe Silva, diretor de gestão de ativos no Banco Carregosa, ao Jornal Económico.

Entre os fatores positivos que a agência poderá considerar estão “a evolução da economia portuguesa, a descida na percepção do risco que já dura há longos meses, a folga financeira conseguida entre a dívida emitida e as necessidades de financiamento e as taxas cada vez mais baixas da dívida portuguesa”, explicou o gestor.

A 15 de setembro de 2017, S&P tirou Portugal do ‘lixo’, revendo em alta a notação da dívida soberana portuguesa de ‘BB+’ para ‘BBB-‘. Com essa revisão em alta para ‘BBB-‘, Portugal voltou a ter uma notação de investimento atribuída por uma das três principais agências de rating mundiais. Em dezembro, a Fitch também retirou Portugal do ‘lixo’, subindo em dois patamares a notação de ‘BB+’ para ‘BBB’, o segundo nível da categoria de investimento.

Já a Moody’s decidiu, em abril deste ano, não se pronunciar sobre a avaliação de Portugal, pelo que assim se manteve na notação ‘Ba1’ (considerado ‘lixo’), atribuída ao país desde julho de 2014.

O banco alemão Commerzbank acredita que após a surpresa do ano passado, “um novo upgrade parece prematuro, com as negociações sobre o Orçamento do Estado para 2019 a decorrerem”. Numa nota divulgada aos clientes, adianta, no entanto, que uma melhoria na perspetiva é uma possibilidade, recordando que o Fundo Monetário Internacional elogiou esta semana o progresso da economia portugueses tanto em termos do crescimento e da redução do défice público.

Filipe Silva, do Banco Carregosa, sublinhou, contudo, que a S&P poderá também sinalizar alguns do fatores externos que representam riscos para economia portuguesa, como “a previsão de uma recessão global, alertas negativos sobre o crescimento, como o que fez ontem o FMI, surpresas negativas sobre o futuro da economia portuguesa e uma subida de taxas do Banco Central Europeu a um ritmo mais acelerado do que o que se espera”.

Em termos de alertas específicos para Portugal, prevê que a S&P deverá focar na dívida. “Continua a ser muito importante o país reduzir a sua dependência da dívida. Reduzir o endividamento é sempre prioritário”, concluiu Filipe Silva.

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