Confiança dos consumidores cabo-verdianos em queda há sete trimestres

“Na opinião das famílias inquiridas, para os próximos 12 meses, tanto a situação financeira das famílias como a situação económica do país deverão evoluir negativamente face ao trimestre homólogo”, aponta o INE de Cabo Verde.

A confiança dos consumidores cabo-verdianos na economia voltou a descer no terceiro trimestre, atingindo o valor mais baixo em quase dois anos, com perspetiva negativa, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde.

De acordo com o Indicador de Confiança no Consumidor relativo ao terceiro trimestre, divulgado hoje pelo INE, este índice “manteve a tendência descendente dos últimos trimestres”, registando mesmo o valor “mais baixo dos últimos sete trimestres consecutivos”.

Desde o final de 2018 que este indicador de confiança, sobre a evolução da atividade económica no curto prazo, não era tão baixo, segundo o histórico do INE cabo-verdiano, também com “uma evolução negativa comparativamente ao trimestre homólogo”.

Cabo Verde vive uma profunda crise económica decorrente da pandemia de covid-19, nomeadamente pela ausência praticamente total de turismo desde março, setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, com o Governo a estimar a duplicação da taxa de desemprego até final do ano, para cerca de 20%.

Ainda assim, segundo este levantamento do INE, para as famílias inquiridas, nos últimos 12 meses, “tanto a sua situação económica do seu lar como a situação económica do país evoluíram positivamente relativamente ao trimestre homologo”, nomeadamente pela queda dos preços.

“Na opinião dos inquiridos, os preços de bens e serviços diminuíram face ao trimestre homólogo, nota-se que o desemprego aumentou relativamente ao mesmo período de 2019”, aponta o Indicador de Confiança no Consumidor.

Quase 90% dos inquiridos pelo INE no terceiro trimestre do ano de 2020 consideraram ainda que a atual situação económica do país “não permite poupar dinheiro”, enquanto no trimestre homólogo de 2019 foram 75,4%.

Praticamente 90 em cada 100 entrevistados afirmaram “ter a certeza absoluta de que não tencionam comprar um carro nos próximos dois anos” e 11% assumiram que “provavelmente irão comprar uma casa ou construir uma casa nos próximos dois anos”.

“Na opinião das famílias inquiridas, para os próximos 12 meses, tanto a situação financeira das famílias como a situação económica do país deverão evoluir negativamente face ao trimestre homólogo. Para as famílias inquiridas, os preços de bens e serviços, deverão diminuir e o desemprego aumentar face ao trimestre homólogo”, conclui o INE, sobre os dados deste indicador de confiança.

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