“Maior renda alguma vez criada em Portugal foi a extensão dos CAE”, realça ex-presidente da EDP

João Talone, que foi presidente da EDP entre 2003 e 2006, está esta tarde a ser ouvido da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas

Miguel A. Lopes/Lusa

O ex-presidente da EDP João Talone considerou hoje no parlamento que com extensão dos contratos de aquisição de energia (CAE) às centrais da elétrica, em 1996, surgiu “a maior renda que alguma vez foi criada em Portugal”.

João Talone, que foi presidente da EDP entre 2003 e 2006, está esta tarde a ser ouvido da comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas, tendo sido questionado, logo no início da audição, pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral sobre a transição dos CAE da EDP para CMEC, mecanismo implementado em 2007.

“O processo não se inicia aí, inicia-se muito mais cedo quando são criados os CAE e quando os CAE são estendidos às centrais da EDP, em 1996. Aí foi criada a maior renda que alguma vez foi criada em Portugal”, defendeu.

Quando o que foi criado para o investimento da Tejo Energia e da Turbogás foi extendido às centrais da EDP é, para João Talone, “o ponto zero do relógio”, que deveria ser marcado para 1996.

Confrontado com a declaração de João Conceição, antigo consultor do ex-ministro Manuel Pinho, que nesta mesma comissão defendeu que “os CAE são blindadíssimos” e “atribuíram direitos bastante fortes à EDP”, o antigo presidente da EDP foi perentório: “Estavam blindados os CAE e a minha obrigação era dar uma blindagem aos CMEC igual ao que tinha os CAE”.

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