Francisco Cary quer fechar a venda do Banco Caixa Geral em Espanha no mês de julho

A gestão do banco selecionou três a quatro ofertas não vinculativas, a maioria de bancos espanhóis. O Expansión confirma que o Abanca e o Cajamar se posicionam como os favoritos, tal como o Jornal Económico avançou hoje. O jornal espanhol fala ainda de um fundo de private equity. Fora da short-list está o Lone Star, porque a CGD prefere não escolher uma entidade que esteja a concorrer no mercado bancário português e o Lone Star é dono do Novo Banco.

Cristina Bernardo
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Em entrevista ao jornal espanhol Expansión, na versão em papel, desta sexta-feira, Francisco Cary, presidente executivo da filial espanhola do Grupo CGD, disse que se não fosse uma imposição da Comissão Europeia, no âmbito do plano de recapitalização aprovado no fim de 2016, não estariam a vender o Banco Caixa Geral em Espanha. Isto porque o banco espanhol da Caixa é rentável desde 2014, e nos últimos anos focou-se nas PME com negócios em Portugal ou em países de África em que a CGD está presente.

Ao contrário do que acontece com a sucursal da CGD em Espanha que se vai manter e que, segundo Francisco Cary ficou com os ativos problemáticos do grupo Caixa em Espanha.

Por causa de ser um banco rentável “agora é mais fácil vender o Banco Caixa Geral”, diz Francisco Cary.

O presidente do banco em Espanha diz também que a CGD “procura chegar a um acordo operacional com a entidade compradora” para PMEs.

A CGD quer desenvolver o negócio transfronteiras e ser um porta de entrada também para as empresas espanholas. “Nos centraremos em PMEs, porque acrescenta valor, mais do que o negócio hipotecário para a comunidade portuguesa em Espanha, porque essa necessidade pode ser satisfeita pelos bancos espanhóis”, diz o administrador da CGD responsável pelo mercado espanhol.

Francisco Cary diz que quer fechar a venda do Banco Caixa Geral durante o mês de julho. Admite que receberam 45 manifestações de interesse, 23 acordos de confidencialidade assinados, e por fim sete deles apresentaram propostas não vinculativas, na maioria de bancos espanhóis e de fundos.

“Agora elaborámos, com a colaboração de assessores externos, uma recomendação do Conselho de Administração ao Governo português com os candidatos que devem passar à segunda fase (propostas vinculativas”, disse Francisco Cary ao jornal espanhol, confirmando a notícia avançada hoje pelo Jornal Económico.

O banqueiro diz que darão prioridade na escolha a quem tenha capacidade para fechar a operação rapidamente, sem grandes obstáculos regulatórios ou necessidades financeiras.

A venda do Banco Caixa Geral segue as regras da lei das privatizações, que exige a publicação em Diário da República. A gestão do banco selecionou três a quatro ofertas não vinculativas, a maioria de bancos espanhóis. O Expansión confirma que o Abanca e o Cajamar se posicionam como os favoritos, tal como o Jornal Económico avançou hoje.  O jornal espanhol fala ainda de um fundo de private equity. Fora da short-list está o Lone Star, porque a CGD prefere não escolher uma entidade que esteja a concorrer no mercado bancário português e o Lone Star é dono do Novo Banco.

Depois do Governo publicar a short-list de entidades que serão convidadas a apresentar uma proposta vinculativa, haverá várias semanas para a due-diligence, que antecede a apresentação das propostas vinculativas.

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