Respostas Rápidas: Conflito com a Google afeta o meu telemóvel da Huawei?

O “cerco” norte-americano estará a dar os primeiro frutos, depois de frustrada a tentativa de EUA convencerem os aliados europeus a boicotarem por livre iniciativa a operação da Huawei. Depois de a administração Trump colocar a Huawei numa lista “negra”, tecnológicas de topo cortam no fornecimento à empresa. A Google é a que fará o maior estrago.

A semana começou com diversas empresas tecnológicas norte-americanas a anunciarem o congelamento do fornecimento de componentes e serviços à chinesa Huawei, depois de a administração Trump ter emitido uma nova ordem executiva que impede empresas dos EUA de venderem tencologia a empresas chinesas. A medida visava sobretudo a Huawei, que acabou colocada na chamada Lista de Entidades do Departamento de Comércio, o que implica que as empresas dos EUA tenham de requerer licença para negociar com a Huawei.

O presidente norte-americano, Donald Trump, evocou mesmo o estado de “emergência nacional” para justificar a media, cujo objetivo é defender o setor das telecomunicações norte-americano, quando o 5G está prestes a chegar ao ponto ideal para ser comercializado. Contudo, a postura de Trump está já a colocar entraves à Huawei, nomeadamente no normal funcionamento e segurança dos seus dispositivos (smartphones e tablets).  Com estas respostas rápidas, perceba o que está a acontecer:

O que anunciou a Google?
A par das norte-americanas Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom, a Google também decidiu cortar no fornecimento de componentes e serviços à Huawei.

Tenho um telemóvel Huawei. Estas notícias podem afetar-me diretamente?

Para já, nada muda. Com esta medida, os atuais telemóveis da empresa chinesa continuam a ter acesso a atualizações de aplicações e de problemas de segurança, assim como a atualizações de serviços fornecidos através do Google Play, segundo a BBC.

Para o futuro, os equipamentos Huawei poderão não vir a ter acesso à próxima versão do sistema operativo Android. Desta forma, aplicações como o YouTube ou o Google Maps podem não vir a estar disponíveis nos próximos anos nos Huawei, adianta a BBC.

Desta forma, nada muda agora para quem tiver telemóveis da marca Huawei, os utilizadores podem continuar a usar e a descarregar aplicações da Google, confirmou um porta-voz da tecnológica norte-americana à Reuters.

Mesmo assim, segundo a Reuters, a gigante chinesa poderá encontrar uma alternativa ao continuar a poder ter acesso a uma versão do sistema operativo Android disponível através da licença de código aberto, que está livremente aberta e que pode ser usada por quem quiser. Mas em caso de complicações, a Google não irá fornecer qualquer suporte técnico e colaboração para a Huawei.

Perante este cenário o que fará a Huawei?
Ainda é cedo para perceber, mas empresa já reagiu em comunicado e assegurou o normal funcionamento dos seus aparelhos que recorram ao sistema operativo Huawei.

“A Huawei tem contribuído substancialmente para o desenvolvimento e crescimento do Android em todo o mundo. Como um dos principais parceiros do Android a nível global, temos trabalhado de perto com a sua plataforma de open-source [código aberto] para desenvolver um ecossistema que tem beneficiado os consumidores e a indústria. A Huawei continuará a fornecer atualizações de segurança e serviços de pós-venda para todos smartphones e tablets Huawei e Honor existentes, abrangendo os equipamentos vendidos e os que ainda estão em stock. Continuaremos a construir um ecossistema de software seguro e sustentável, a fim de fornecer a melhor experiência para todos os utilizadores globalmente”. Comunicado emitido na manhã desta segunda-feira pela Huawei.

O Jornal Económico já contactou os responsáveis pela comunicação tanto da Google como da Huawei em Portugal, para perceber os efeitos da medida da Google na operação da empresa chinesa, mas até ao momento não obteve respostas.

Mas há alternativa para a Huawei depois da Google e de outras empresas terem anunciado o fim de qualquer relação negocial com a empresa chinesa?
A única forma da Google e outras fornecedoras norte-americanas continuarem ligadas à Huawei é através de uma licença emitida pelo governo norte-americano. É que a Huawei foi colocada na chamada Lista de Entidades do Departamento de Comércio, algo como uma lista “negra” que implica que as empresas dos EUA tenham de requerer licença para negociar com a empresa chinesa.

Entretanto, há uma portuguesa disposta a entrar em campo e criando uma oportunidade de negócio com a Huawei, face às últimas notícias do outro lado do Atlântico.

Trata-se da empresa portuguesa Aptoide, que opera uma das maiores lojas de conteúdos e aplicações móveis alternativas ao Google Play. De acordo com o “Diário de Notícias/Dinheiro Vivo“, a Aptoide estará já em negociações com a Huawei.

“Vemos esta notícia como uma oportunidade interessante de mercado para criar uma parceria com a Huawei e resolver este problema que surgiu para eles. Estes contactos já vêm de trás, eu próprio já me reuni com um dos responsáveis da Huawei e o meu colega responsável pelo escritório de Shenzhen (China) tem andado em contacto. Quando saiu a notícia voltamos a falar para saber se havia aqui uma oportunidade de colaboração”. Diretor executivo da Aptoide, Paulo Trezentos.

O que espoletou este cenário de bloqueio à Huawei?
A origem do episódio desta segunda-feira tem diversos vértices, mas é um facto que a Casa Branca está desde meados do verão de 2018 a pressionar parceiros e países aliados a bloquear a tecnologia e as infraestruturas da chinesa Huawei. Entre a semana passada e esta conseguiu iniciar esse bloqueio por via de uma diretiva governamental, que complica qualquer relação empresarial com a Huawei.

A administração Trump alega que a Huawei terá ligações ao Partido Comunista da China, mas é a recente lei chinesa que requer às empresas que colaborem com o governo chinês, quando solicitado, que estará a alimentar as suspeitas de práticas de espionagem por parte da tecnológica. No início do mês de fevereiro, o senador republicano Ben Sasse disse à “Associated Press” que a China está empenhada em comprometer os interesses de segurança nacional dos EUA, “usando entidades do setor privado” com frequência. Segundo Washington, o desenvolvimento da rede móvel de quinta geração, vulgo 5G, servirá para práticas de espionagem.

Até ao momento não há evidências factuais de práticas de espionagem da Huawei, no entanto pesa na Casa Branca também o facto de o fundador da tecnológica, o engenheiro Ren Zhengfei, ter um passado ligado ao exército chinês.

À suspeita de espionagem acresce a acusação dos EUA à diretora financeira e filha do fundador da Huawei, Meng Wanzhou, por práticas de fraude por, alegadamente, ter contornado as sanções económicas impostas por Washington ao Irão. O caso levou à dentenção de Wanzhou em Vancouver, Canadá – entretanto libertada sob uma fiança de mais de seis milhões de dólares, estando, agora à espera da conclusão do processo de extradição para os EUA.

A Huawei conta com 3 mil milhões de utilizadores distribuídos por 170 países, o que revela que a empresa chinesa tem no mercado externo, sobretudo na Europa, a maior parte do seu volume de negócios. Um boicote internacional levaria a uma enorme pressão às contas da gigante chinesa, que centra a sua operação em infraestruturas de telecomunicações e no fabrico de telemóveis. No segmento das infraestruturas o maior rival é a norte-americana Cisco, enquanto no fabrico de telemóveis a Apple é o grande rival.

Algum país acedeu ao pedido norte-americano?
Sim, fruto de uma pressão internacional levada a cabo pelos norte-americanos que já contactou com praticamente todos as nações reconhecidas. Por agora, somente Austrália, Nova Zelândia e Japão responderam positivamente à pressão norte-americana para impedir que empresas nacionais recorram aos serviços da Huawei.

Portugal já foi abordado pelos EUA?
Quanto a Portugal, Washington enviou no início do ano uma comitiva a Lisboa para discutir segurança de redes móveis com o Governo de António Costa. O embaixador norte-americano George E. Glass foi claro na sua mensagem ao avisar que participação chinesa nas telecomunicações portuguesas pode afetar relações no quadro da NATO.

Na comitiva norte-americana estava Ajit Pai, presidente da Comissão Federal das Comunicações dos EUA (FCC, sigla inglesa), que fez saber que a participação chinesa “constitui um risco” que Portugal não deveria correr, tendo em conta a postura dos EUA.

Do lado português, num mercado onde as principais empresas de telecomunicações têm acordos e parcerias de desenvolvimento da nova geração de rede móvel, o 5G, com a Huawei, a questão não é simples. A Altice Portugal, por exemplo, está incluída num protocolo de cooperação entre o Pequim e Lisboa – e os gestores por trás das restantes operadoras nacionais não demonstram preocupações com a Huawei.

Em março, o CEO da Nos, Miguel Almeida, disse: “São especulações baseadas no facto de a empresa ser chinesa e de haver um governo chinês. Nós vivemos com base em factos e não temos qualquer evidencia de problemas de segurança com a Huawei”, afirmou à margem da apresentação dos resultados de 2018 da empresa.

O gestor alertou, ainda, que a Europa vai “atrasar-se dois anos, pelo menos, com base em evidências que não existem”, se houver uma decisão da regulação europeia que não  permita o desenvolvimento de redes 5G em infraestruturas da empresa chinesa, quando não há “nenhuma evidência de que haja problemas de segurança com a Huawei”.

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